Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Viagens mais rápidas no horizonte próximo animam investidores em Le Bourget

Quem não gostaria de viajar de Paris a Tóquio em duas horas e meia? É quando bate a saudade dos tempos do Concorde. O grupo aeroespacial EADS, dono da fabricante de aviões Airbus, acredita ter a resposta para isso: um jato hipersônico que voa sobre a atmosfera, mas decola de uma pista comum.

Segunda, 20 de Junho de 2011 às 08:26, por: CdB
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Quem não gostaria de viajar de Paris a Tóquio em duas horas e meia? É quando bate a saudade dos tempos do Concorde. O grupo aeroespacial EADS, dono da fabricante de aviões Airbus, acredita ter a resposta para isso: um jato hipersônico que voa sobre a atmosfera, mas decola de uma pista comum. – Não é um Concorde, mas parece com um, mostrando que a aerodinâmica dos anos 1960 era muito inteligente – disse Jean Botti, técnico da EADS, durante a feira aeroespacial em curso na capital francesa, a Paris Air Show, em Le Bourget. Voando acima da atmosfera e usando biocombustível para tirar o avião do chão, o grupo espera evitar o barulho e a poluição pela qual o Concorde era notório. – Quando você está sobre a atmosfera ninguém pode ouvir nada – afirmou Botti. O avião está sendo desenvolvido em cooperação com o Japão e poderia carregar até cem passageiros. A iniciativa utiliza pesquisa realizada pelo braço espacial da EADS, Austrium. O projeto, chamado de ZEHST, sigla em inglês para transporte em alta velocidade com emissão zero, se dá no momento em que companhias como a Virgin tem planos para levar turistas em voos espaciais. Ao contrário da Virgin Galactic, o ZEHST, segundo a EADS, teria uma velocidade máxima que dispensaria os seus passageiros de um treinamento prévio ao voo. O avião decolaria com turbinas regulares e depois foguetes o levariam para o voo sobre a atmosfera. O avião chegaria a altitudes de 32 km e viajaria a uma velocidade equivalente a quatro vezes a do som. – ZEHST não é uma novidade. Essas coisas foram criadas antes – afirmou Botti. Segundo ele, a empresa pode iniciar demonstrações por volta de 2020. O chefe da EADS, Louis Gallois, alertou que pode levar de 30 a 40 anos até os voos comerciais se tornarem uma realidade. "Não estamos falando de um produto que vamos lançar nos próximo anos. Temos que ver segurança, integração de tecnologias, como será a reação humana a ele". Risco na Embraer Ainda em Le Bourget, em conversa com jornalistas, a Embraer revelou que existe uma margem de risco no cumprimento do contrato pela companhia aérea norte-americana JetBlue. A informação foi passada à agência inglesa de notícias Reuters, no final do domingo, pelo presidente da fabricante brasileira de jatos, Frederico Curado. A JetBlue, que vem enfrentando dificuldades, foi a cliente lançadora do avião Embraer 190, de 100 passageiros, com pedido firme de 100 unidades e outras 100 opções de compra, em contrato assinado em 2003 avaliado à época em até 6 bilhões de dólares. – Já deveriam ter sido entregues os 100 (aviões do pedido firme) há bastante tempo, era para terem sido entregues em quatro, cinco anos e isso não aconteceu. Temos tido uma enorme flexibilidade em termos de ajustar as entregas – disse Curado na véspera da abertura da Paris Air Show. A multa prevista em contrato para a JetBlue no caso de cancelamento do pedido acaba não sendo uma alternativa pelo valor irrisório diante da possibilidade de perda de um cliente dessa relevância. Até o final de março, a Embraer tinha entregue apenas 49 aviões para a JetBlue. Segundo Curado, se a companhia norte-americana adotar em sua frota o novo avião A320neo, da Airbus, a fabricante brasileira "pode ter um risco maior" com as 51 aeronaves restantes da encomenda firme. Questionado sobre as 100 opções de compra da JetBlue, o executivo foi taxativo: – Exercer as opções é pouco provável, sinceramente. Ele frisou, contudo, que dada a diversificação da base de clientes – são cerca de 60 companhias aéreas atualmente no mundo voando com os E-Jets de 70 a 122 assentos da Embraer – o impacto no resultado da empresa não seria dramático. A Embraer tinha no final do terceiro trimestre pedidos firmes por 270 aviões comercias, o equivalente a entre dois e três anos de entregas. Além disso, a carteira contava com 705 opções de compra, número considerado expressivo por analistas. Segundo Curado, a Embraer tem conseguido transformar mais de 50% das opções em encomendas firmes. A manutenção dessa taxa de sucesso dependerá da conjuntura econômica. Mais contratos Já nesta segunda-feira, ainda em Le Bourget, a Embraer anunciou cinco contratos para venda de 39 aviões avaliados em US$ 1,7 bilhão, durante a abertura do maior salão mundial de aeronáutica. Com os acordos, a fabricante brasileira busca reassegurar que a demanda por seus E-Jets, capazes de transportar entre 70 e 122 passageiros, segue forte e tenta dissipar temores de que estaria demorando a decidir sobre o desenvolvimento de um novo avião comercial. Há ainda opções de compra de outras 22 aeronaves, que podem levar o valor combinado dos novos negócios para US$ 2,6 bilhões. Todas as vendas firmes e opções são do modelo Embraer 190, de 100 passageiros e com preço de tabela de US$ 42,8 milhões cada. Atualmente, a Embraer compete apenas com a russa Sukhoi e seu Superjet 100 no mercado de jatos de 100 lugares, avião que por enquanto tem certificado apenas para voar na Rússia. Mas há outros competidores a caminho, produzidos por China e Japão, além do avião CSeries, da rival canadense Bombardier, de cerca de 130 passageiros. – Temos visto uma demanda muito boa por nossos jatos. É um programa de sete anos que já tem 1 mil encomendas firmes de aviões e que caminha para 800 entregas – afirmou a jornalistas o vice-presidente de Aviação Comercial da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, ao revelar as encomendas em Le Bourget. A maior encomenda divulgada pela Embraer na Paris Air Show foi feita pela companhia aérea Sriwijaya Air, da Indonésia, com aquisição de 20 aviões e direitos de compra de 10 unidades. Outro pedido relevante é o da Kenya Airlines, com carta de intenção de compra firme de 10 aviões e mais 10 opções. O vice-presidente da Embraer disse que o contrato final com a companhia aérea queniana será assinado nas próximas semanas. Há ainda acordos menores com as empresas de leasing Air Lease e GE Capital Aviation Services – da General Electric) – e com a companhia aérea Air Astana, do Cazaquistão. A maioria das encomendas anunciadas não era prevista por analistas que acompanham a Embraer, exceto pela da Air Lease. A Embraer também divulgou nesta segunda sua previsão para demanda global por jatos de 30 a 120 passageiros de 2011 a 2030. A estimativa é de um total de 7.225 aviões, no valor de US$ 320 bilhões. O número é cerca de 5% acima da estimativa anterior, para o intervalo de 2010 a 2029, que projetava 6.875 aeronaves de até 120 lugares. O maior crescimento da compra de aeronaves regionais virá da China, com alta anual de 7,5%, seguido por América Latina, com 7,2%, e Oriente Médio, com 6,9%, segundo a Embraer. Ao todo, 53% dos novos aviões serão destinados a ampliar o crescimento do tráfego aéreo, enquanto os 47% restantes substituirão a frota antiga.
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