Muitas promessas de estreitamento comercial e poucos negócios concretos. Este foi o saldo econômico da viagem de nove dias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a cinco países árabes. Os poucos documentos firmados pelo governo brasileiro não foram muito além do que simples convênios de cooperação técnica nas áreas de turismo, educação, esportes e cultura, entre outros.
A expectativa do governo, no entanto, é de que a semente tenha sido lançada para futuros acordos. A meta é triplicar até o final do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva as exportações para o Oriente Médio, dos atuais US$ 2,6 bilhões anuais para US$ 7,8 bilhões.
No discurso realizado diante dos 22 embaixadores da Liga Árabe, na terça-feira, Lula lembrou que a compra de produtos brasileiros representa cerca de 1,5% do total de importações do mundo árabe.
"Há boas possibilidades de complementariedade econômica entre essa região e o Mercosul. Há boas possibilidades também de intercâmbio com toda a América do Sul. É possível aumentar expressivamente nosso comércio, os fluxos de turismo, o intercâmbio cultural e os investimentos", sustentou o presidente na ocasião, repetindo um discurso feito nos fóruns empresariais em todos os países por onde passou na viagem - Síria, Líbano, Emirados Árabes, Egito e Líbia.
As principais expectativas estão concentradas no setor de petróleo, na venda de aviões da Embraer e de automóveis, além de projetos no setores de construção civil e agrícola.
A Líbia, por exemplo, estuda a importação de 10 mil automóveis Palio, fabricados no Brasil pela Fiat. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, a compra pode alcançar US$ 55 milhões.
Além disso, um consórcio de empresas brasileiras tenta fechar um projeto que prevê a construção de 15 mil apartamentos nas proximidades da capital, Trípoli. Outra oportunidade é a construção de uma ferrovia no país.
No Cairo, capital do Egito, o governo se empenhou na negociação de um acordo que vai lançar as bases para um acerto de liberação de comércio entre o Egito e o Mercosul, nos mesmos moldes do acordo que está sendo negociado entre o bloco e a África do Sul.
Kadafi cético
Uma das grandes apostas de integração política e comercial de Lula se baseia no encontro de cúpula entre os países árabes e os da América do Sul programado para o ano que vem, provavelmente entre 15 a 20 de setembro. O próprio Lula convidou os presidentes de todos os países que visitou para o encontro.
Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, todos os embaixadores da Liga Árabe consideraram o encontro importante. "Em princípio, todos devem ir", afirmou.
Na Líbia, no entanto, o coronel Muammar Kadafi mostrou-se cético em relação às possibilidades de aproximação entre os dois grupos, segundo relato de autoridades brasileiras presentes ao jantar oferecido a Lula na terça-feira.
Na ocasião, o líder líbio afirmou que os 22 países do mundo árabe são divididos e, somados, têm um PIB do tamanho do Brasil, mas que por sua vez é a metade do da Espanha, por exemplo.
Kadafi sugeriu que os países africanos também fossem convidados para o encontro, mas a idéia é descartada pelo governo brasileiro.