Rio de Janeiro, 02 de Outubro de 2026

Viagem de Lula à China irá além do comércio entre os dois países

A visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará em maio à China buscará resolver entraves comerciais e marcará o lançamento de uma iniciativa conjunta de satélites sobre a África, num momento em que Brasília e Pequim buscam ampliar sua aliança para além do comércio.(Leia Mais)

Sexta, 24 de Abril de 2009 às 09:43, por: CdB

A visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará em maio à China buscará resolver entraves comerciais e marcará o lançamento de uma iniciativa conjunta de satélites sobre a África, num momento em que Brasília e Pequim buscam ampliar sua aliança para além do comércio.

Lula visitará Pequim em meados de maio, pela segunda vez em seu governo. O Brasil espera que a viagem amplie as relações e leve a investimentos significativos dos chineses no país, além de mais exportações de produtos industrializados brasileiros, e não só de matérias-primas.

O comércio bilateral disparou desde a primeira visita de Lula, em 2004. A China é atualmente o segundo maior parceiro comercial do Brasil, de onde compra principalmente soja e minério de ferro, vendendo todo tipo de produto industrializado. As relações comerciais se mantiveram sólidas apesar da crise global atual.

– Na atual situação, os países desenvolvidos estão num período de crescimento lento, então há muito potencial para cooperação entre dois países que estão seguros de continuar crescendo – disse à Reuters o embaixador brasileiro na China, Clodoaldo Hugueney.

Os brasileiros esperam fechar um acordo que facilite o trâmite das exportações do país pela alfândega e pelas regras de quarentena chinesas, disseram negociadores comerciais e representantes empresariais na noite de quinta-feira.

Além do comércio, há também uma convergência de interesses globais entre Brasil e China, dois grandes países em desenvolvimento com economias complementares, sem fronteiras a disputar e com um interesse comum na abertura de instituições multilaterais que tendem a ser controladas pelos países mais ricos.

Brasil e China são integrantes do G5, grupo de grandes países em desenvolvimento que nos últimos dois anos estão cada vez mais relutantes em subscrever metas ambientais e de outros âmbitos estabelecidas pelo G8 (bloco de países ricos).

– Nossas preocupações são muito similares com relação à arquitetura do sistema financeiro internacional – disse Hugueney.

Os dois países também dizem ter um interesse comum na África. A China por precisar dos minérios e do petróleo do continente e o Brasil por causa da sua experiência com produção de petróleo e mineração.

Um projeto sino-brasileiro de satélites será ampliado para fornecer a países africanos dados e imagens necessários para monitorar o desmatamento, as lavouras e outros itens do desenvolvimento, segundo o embaixador brasileiro.

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