Amanhã (1º) o Movimento Nacional Campesino Indígena, Cloc-Via Campesina realizará uma mobilização em frente ao Conselho Deliberativo de Tigre, em Buenos Aires, na Argentina, para protestar contra o despejo de famílias da ilha e a destruição do Delta do Paraná.
A audiência iniciará às 10h e enfocará o caso das famílias que estão sendo prejudicadas pelo avanço da construção de um bairro privado exclusivo, da empresa Colony Park. De acordo com os relatos, as famílias residentes na primeira seção das ilhas do Delta do Paraná e no Córrego Anguilas, tiveram suas casas queimadas, suas terras roubadas e seus rios contaminados em consequência deste empreendimento.
A Via Campesina também denuncia que o governo municipal está tentando legitimar o despejo ilegal das famílias, e que apenas com a resistência dessa comunidade e com as denúncias de organizações sociais e assembleias regionais, é que o governo se viu obrigado a realizar uma audiência pública sobre a situação. Merece destaque o fato de que essa providência aconteceu três anos depois do início da das obras, ressaltou a organização.
O movimento camponês também critica e denuncia que, o que está acontecendo no Delta do Paraná é consequência de um modelo de desenvolvimento excludente, degradador, "baseado na mercantilização dos bens naturais e na concentração da riqueza”. Como principais exemplos deste modelo podem ser citados o agronegócio, a mineração e os grandes projetos imobiliários que se desenvolvem por todo o país.
Devido a esta situação de medo e injustiça é que a Via Campesina está se articulando para expressar seu rechaço diante deste grande empreendimento imobiliário, "que é sinônimo de destruição do delta, da vida na ilha e sua cultura”.
"Consideramos a natureza não um recurso, mas um bem comum que devemos guardar para os povos e para as futuras gerações”, defendem.
A Via Campesina finaliza seu chamado à mobilização de amanhã lembrando que a natureza também é um sujeito de direito e merece ser respeitada, e que graças à Terra foi possível formar comunidades de cultura, de vida, de arte e de produção de alimentos ao longo dos séculos.
"Somos mais de 500 mil famílias que ainda resistimos através da pesca, da caça e da agricultura campesina e indígena, mantemos um potencial capaz de desenvolver processos e tecnologias saudáveis de produção de alimentos para a população argentina”, finalizam.