O veredicto dado a um líder palestino por um tribunal israelense representou um balde de água fria para as intenções de Israel de responsabilizar criminalmente autoridades palestinas pelos ataques cometidos por militantes nos 44 meses de levante, disseram especialistas na quinta-feira.
O parlamentar Marwan Barghouthi, da Cisjordânia, visto como possível sucessor de Yasser Arafat, foi considerado culpado em cinco acusações de homicídio por ataques executados por militantes do Fatah. Mas os três juízes o absolveram em outras 33 acusações de homicídio, alegando que não havia provas do envolvimento direto do acusado nos crimes.
"O julgamento foi um tiro pela culatra," disse à Reuters o comentarista jurídico Moshe Negbi. Os promotores israelenses defendiam no tribunal de Tel Aviv que Barghouthi estava diretamente envolvido nas mortes e pediram aos juízes que lhe imputassem cinco prisões perpétuas. A sentença ainda não havia sido anunciada.
"O tribunal decidiu que não se pode atribuir responsabilidade criminal a líderes políticos de organizações por atos cometidos por essas organizações, a menos que eles estivessem diretamente envolvidos," disse Negbi.
Para especialistas, essa brecha legal precisa ser fechada se Israel quiser processar outros líderes palestinos.
Barghouthi afirmou que o julgamento era político e se recusou a se defender durante o processo, que durou um ano. Também recusou assistência jurídica.
"É muito embaraçoso para a promotoria israelense que ele tenha sido absolvido da maioria das acusações mesmo tendo se recusado a cooperar com o tribunal e sem estar representado," disse Negbi.
O analista ressaltou, portanto, que o veredicto representa uma vitória para a Justiça de Israel, porque "o tribunal, ao absolver Barghouthi da maioria das acusações, provou ter feito o máximo para dar a ele um julgamento justo, e aplicou a ele as regras normais da lei."
Estações de rádio israelenses informavam que a promotoria estava analisando um possível recurso.