O início do verão deste ano na Inglaterra foi o mais chuvoso da história desde que os índices começaram a ser registrados há 240 anos, informou o Met Office, serviço de metereologia do governo. Os números registrados durante três meses até o dia 23 de julho mostraram que mais de 387 mm de chuva caíram na Inglaterra e no País de Gales.
Enquanto a Inglaterra sofre com as chuvas, a forte onda de calor na Europa está agravando o problema dos incêndios de origem criminosa. Hungria, Grécia e Romênia estão entre os países que já registraram mortes em decorrência do calor, que passa dos 40ºC. Até 500 pessoas já teriam morrido na Hungria e 20 na Romênia.
O índice pluviométrico na Grâ-Bretanha representa o dobro da média considerada normal para o período (186 mm). Até então, o verão mais chuvoso nestas regiões da Grã-Bretanha havia sido registrado em 1789, com precipitação de 350 mm de água.
As fortes chuvas que caem em várias regiões da Inglaterra desde o mês passado causaram inundações e deixaram milhares sem água e eletricidade.
Em Gloucestershire, centro da Inglaterra, 340 mil pessoas atingidas pelas inundações do fim de semana ainda estão sem água.
As companhias de água locais estimam que serão necessárias duas semanas para que o abastecimento seja totalmente normalizado, mas esperam que a partir desta quinta-feira cerca de 10 mil casas voltarão a ter água.
Os níveis da água no rio Tâmisa, um dos maiores da Grã-Bretanha começaram a baixar, afastando um pouco o medo de novas inundações.
Os serviços de metereologia, no entanto, afirmam que deve chover mais nesta quinta-feira.
Em sua segunda visita às regiões afetadas desde o fim de semana, o primeiro-ministro Gordon Brown disse nesta quarta-feira que “serão providenciados mais caminhões-tanque e galões de água para restabelecer o fornecinento de água”
Na Itália, outro país afetado, duas pessoas morreram na segunda-feira e 1,5 mil focos de incêndio foram registrados desde a segunda-feira, especialmente no centro-sul do país, segundo o Ministério do Interior.
O vice-ministro, Ettore Rosati, acredita que 90% dos incêndios registrados na Itália são criminosos.
Aquecimento global
Segundo meteorologistas, temperaturas acima de 40°C são normais na Itália nesta época do ano, mas fatores como a estiagem e um inverno muito quente pioraram as condições climáticas.
Para Andrea Cocco, representante da ONG Liga Ambiente, o fato do último inverno ter sido quente é um claro indício do aquecimento global.
- A tendência ao aumento gradual da temperatura é evidente e, numa situação em que não chove e as terras são áridas, é mais fácil que o fogo se alastre - analisou.
Mas nem todos concordam com a visão de Cocco. O coronel Paolo Capizzi, do serviço de meteorologia da Aeronáutica italiana, acredita que a análise de apenas um verão não é suficiente para relacionar o calor excessivo ao aquecimento global.
Isto só é possível, na opinião dele, se o fenômeno se repetir com uma certa freqüência.
- O que há são as chamadas ilhas de calor, grandes metrópoles onde o clima mudou por causa do número de edifícios, do asfalto, dos automóveis e do grande uso de ar condicionado - acusa.
Máfia
Alguns ambientalistas também estão associando os incêndios, muitos dos quais em reservas, à ação do crime organizado.
- Os incêndios estão se concentrando em regiões como a Sicília, a Calábria e a Puglia (regiões no sul da Itália), onde há crime organizado e interesse em construção e reflorestamento -disse Patrizia Fantilli.
- Isso já acontecia dez ou 15 anos atrás, quando a situação climática ainda era considerada normal - conclui.