A psicodelia dos anos 1970 ganhou forma na passarela da São Paulo Fashion Week, nesta terça-feira, com a releitura que o estilista Alexandre Herchcovitch fez do período para sua coleção de primavera-verão feminina.
Ele privilegiou peças claras, estampadas e coloridas, com saias e vestidos rodados de cintura marcada por grossos cintos feitos de couro de selaria.
- Olhei para os movimentos de libertação daquela época, quando aparece mais forte o movimento dos jovens por liberdade, e minhas roupas falam disso, de liberdade - disse Herchcovitch no camarim, após o desfile.
O cenário aproveitava a luz natural das janelas do prédio da Bienal, no parque Ibirapuera. Do teto, pendiam imensas figuras de acrílico colorido, como unicórnios, cogumelos, corações e outros personagens que poderiam ilustrar o livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.
A passarela, criada entre os vidros e a platéia, serviu para os exercícios costumeiros do estilista. Entre elas, a mistura de estampas improváveis (xadrez com flor), a sobreposição de peças (saia sobre bermuda, vestido sobre camiseta) ou a brincadeira com proporções, como os miniboleros combinados a saias amplas e volumosas.
Abusando de cores suaves como o bege, o rosa e o azul-claro, ele fez uma jaquetinha florida ganhar um toque diferente com bainha xadrez. Ou uma saia de silicone xadrez se destacar com uma blusa de seda florida. Até a pesquisa com tecidos voltou-se para o passado.
- Como naquela época se misturavam tecidos sintéticos com naturais, quis aproveitar isso misturando xantungue com poliamida - disse o estilista, acrescentando que também fez experiências com a seda.
Nas cabeças das modelos -- todas com penteado estilo africano, de tranças rentes ao couro cabeludo -- vinham alguns bonés dos quais saía uma pena e, nos ombros, uma ou outra bolsa de couro rústico, de material de selaria.
Para arrematar, um trench coat branco e preto de efeito óptico, outra padronagem que fez sucesso entre a geração "flower power".