A Venezuela manteve nesta terça-feira a vaga na Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), num golpe para a diplomacia norte-americana. Isso acontece um dia depois de os dois países trocarem farpas por causa da liberdade de imprensa e da prisão dos EUA instalada em Guantánamo.
Em sua assembléia no Panamá, os países da OEA votaram a favor da venezuelana Luz Patrícia Mejía para uma das quatro vagas a serem abertas até dezembro na Comissão Regional de Direitos Humanos, que tem sete integrantes.
EUA e Venezuela têm vaga no órgão, mas a cadeira ocupada pela venezuelana é uma das quatro a serem abertas neste ano. Washington vinha fazendo campanha para que alguém da Bolívia a ocupasse.
Na véspera, a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, criticou a Venezuela na OEA por ter fechado o canal oposicionista RCTV. O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, reagiu comparando a prisão da base naval norte-americana de Guantánamo, encravada em Cuba, a um campo de concentração nazista.
Depois da votação, Maduro era todo sorrisos para a imprensa, e funcionários venezuelanos se apressaram em apresentar Mejía aos jornalistas, embora ela tenha se recusado a comentar a situação dos direitos humanos na Venezuela ou nos EUA.
Com sede em Washington, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos investiga queixas de abusos no continente e pode levar acusações de violações à Corte Interamericana de Direitos Humanos, com sede na Costa Rica. Seus membros agem de forma independente, sem representar países específicos.
A votação encerrou o último dia da assembléia geral da OEA, onde na véspera Rice pediu uma investigação sobre o fechamento da RCTV, emissora que o governo de Hugo Chávez fechou por acusar de participação no frustrado golpe de Estado de 2002.
Maduro reagiu dizendo que antes seria preciso investigar eventuais violações aos direitos humanos na base de Guantánamo, onde os EUA mantêm cerca de 380 suspeitos de terrorismo.