Em resposta à nota do Departamento de Estado dos Estados Unidos que, nesta quarta-feira, afirmou que o país apóia a tentativa da companhia petrolífera americana Exxon-Mobil de obter o pagamento de uma compensação após sua saída do consórcio venezuelano na Faixa do Orinoco, nacionalizado no ano passado, o ministro do Poder Popular para a Energia e Petróleo da Venezuela, Rafael Ramirez, suspendeu em definitivo "qualquer tipo de relação comercial" com a empresa norte-americana.
- As decisões do Estado (venezuelano) somente competem ao povo e não podem ser submetidas ao questionamento de nenhuma empresa transnacional sob qualquer motivo - afirmou Ramirez.
O ministro criticou, ainda, a oposição venezuelana que "quase festeja a agressão da Exxon Mobil contra a Venezuela", após afirmar que a população do país tem demonstrado "apoio e respaldo ao exercício de nossa soberania petrolífera".
- Tenham certeza que o governo revolucionário, encabeçado pelo presidente Hugo Chávez, batalhará para defender os interesses de nosso povo e da nossa empresa (PDVSA) - afirmou o ministro.
Apoio dos EUA
"Apoiamos totalmente os esforços da Exxon-Mobil de obter uma compensação justa por seus ativos, segundo o estabelecido nas leis internacionais". Este foi o pronunciamento do porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack acerca da ação movida pela empresa petroleira Exxon-Mobil, que pede em um tribunal internacional o pagamento de seus ativos, após não ter aceitado as novas regras dos contratos de exploração na Faixa do Orinoco – uma região venenuelana rica em petróleo.
Apesar do apoio, o Departamento de Estado tentou se distanciar da disputa, que na Venezuela já tem sido caracterizada como um novo embate entre os governos do presidente venezuelano Hugo Chávez e do americano George W.Bush.
- É algo que tem que ser resolvido entre Venezuela e Exxon-Mobil e várias cortes ao redor do mundo - disse McCormack.
Protestos
Cerca de cem manifestantes protestaram, na tarde desta quarta-feira, em frente à embaixada britânica em Caracas gritando frases como "Não ao terrorismo judicial" e "Não à intervenção das empresas imperialistas". A disputa entre PDVSA e Exxon-Mobil teve início na semana passada, quando a empresa norte-americana anunciou ter obtido um parecer favorável de tribunais de Grã-Bretanha, Holanda e Antilhas para o congelamento de US$ 12 bilhões em ativos da PDVSA nesses países.
O deputado governista José Albornoz afirmou a jornalistas internacionais que a corte britânica estaria assumindo uma postura “política e não jurídica” ao aceitar arbitrar o processo da empresa norte-americana e cobrou do governo britânico um posicionamento. Também nesta quarta-feira, um juiz dos Estados Unidos confirmou que US$ 300 milhões da PDVSA estão congelados por causa da disputa com a Exxon.