O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne com os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Alvaro Uribe (Colômbia) e José Luiz Zapatero (Espanha) nesta terça-feira, e devem ainda ter novo encontro nesta quarta-feira, em Ciudad Guayana, na Venezuela. De acordo com Eustoquio Contreras, vice-ministro venezuelano das relações Exteriores para América Latina e Caribe:
- Serão discutidos novos paradigmas nas políticas externas de todos esses países.
A segunda reunião deve resultar em declaração conjunta, abordando temas como a cooperação na área da fronteira amazônica. Segundo Contreras, essa preocupação com a região fronteiriça implica colaboração em preservação ambiental e equipamentos de defesa.
Para o vice-ministro venezuelano, "novos conceitos morais e éticos" estão definindo a liderança de países como o Brasil e a Venezuela no plano internacional, o que implica também uma nova "geopolítica na região".
- Estamos substituindo, no plano multilateral, a idéia de competência, que pressupunha uma hierarquização entre ricos e pobres, pelo conceito de complementaridade - explica.
- O modelo anterior levava a um uso da força que beirava o primitivismo. Guiamo-nos por um humanismo, ou seja, estamos colocando o ser humano como centro das atenções, chamando a atenção do mundo para o fato de que todo homem e mulher, de qualquer país que seja, desenvolvido ou não, tem os mesmos direitos a uma vida digna e a buscar a felicidade - ressaltou.
Um dos exemplos da aplicação do princípio de complementaridade pregado pela política externa venezuelana, explica o vice-ministro, está nos recentes acordos com o Uruguai. Esse país esta vendendo à Venezuela produtos lácteos e transferindo conhecimento e tecnologia na área da pecuária em troca de derivados de petróleo:
- Vemos o que cada um tem para vender que produz melhor e mais barato e fazemos o mesmo do nosso lado. Uma visão a partir do ser humano pode levar a conclusão de que todos tem a responsabilidade de contribuir para um mundo melhor.
No caso brasileiro, Contreras diz que são exemplos da aplicação do conceito de complementaridade as alianças em áreas como energia e políticas agroalimentares, destacando-se a construção de uma petroquímica binacional, a formação da Petrosul, união das petroleiras estatais da América do Sul, e a construção da terceira ponte sobre o Orinoco, o principal rio venezuelano:
- O importante e que Brasil, Venezuela e Argentina tem o papel de vanguarda na integração da América do Sul.
Hoje, a Venezuela exporta cerca de 60% dos 3 milhões de barris diários de petróleo que produz para os Estados Unidos. O governo Chávez também tem dito que está preocupado em diversificar os destinos de suas vendas externas.
- Outros países tem igual necessidade de nosso produto e podem nos oferecer maiores vantagens - explica o vice-ministro.
Apesar disso, Contreras diz que a reunião desta terça tem o objetivo de fortalecer o multilateralismo:
- Não se trata de que a Venezuela esteja buscando a aliança com um país para enfrentar outro.
Nossa integração não é contra ninguém, é a favor de nos mesmos. Defendemos a autodeterminação e o direito que os povos têm de dispor livremente de suas riquezas naturais - completou.