O governo da Venezuela anunciou a normalização imediata das relações diplomáticas com a Colômbia, colocando um fim à crise enfrentada por Equador, Colômbia e Venezuela. O governo venezuelano expulsou do país o embaixador colombiano no dia 4 de março, alegando "defesa da soberania, da pátria e da dignidade do povo venezuelano".
O reatamento, oficializado nesta segunda-feira, foi anunciado dois dias depois que os presidentes equatoriano, Rafael Correa, colombiano, Álvaro Uribe, e venezuelano, Hugo Chávez, selaram uma trégua simbólica com um aperto de mão na reunião do Grupo do Rio, realizada na República Dominicana na última sexta-feira.
- Animado pela vitória da paz e soberania obtida no Grupo do Rio (...) onde se demonstrou a importância da união latino-americana para a superação dos conflitos, decidimos reestabelecer o normal funcionamento das relações diplomáticas com o governo da República da Colômbia - diz uma nota emitida pela chancelaria venezuelana neste domingo.
O ministério de Relações Exteriores também anunciou a reabertura imediata da sua embaixada em Bogotá, e se dispôs a receber o corpo diplomático colombiano na capital, Caracas, "no mais breve prazo".
No Grupo do Rio, Chávez assumiu o papel de conciliador na crise entre Equador, Colômbia e Venezuela, chamando à "paz na América Latina" e amenizando a tensão que marcou uma crise sem precedentes na região andina.
O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, disse no última sábado que a intervenção de Chávez durante a reunião foi decisiva para solucionar a crise.
- Na verdade (Chávez) me surpreendeu gratamente. A intervenção (na reunião) do presidente Chávez foi muito importante, porque o tom que ele aplicou foi muito distinto (do usado antes). Foi um tom reflexivo, conciliador, que era uma coisa necessária e fundamental neste momento - disse Insulza ao jornal chileno El Mercurio.
Tropas na fronteira
A contenda teve início no sábado passado, quando o Exército da Colômbia invadiu o território equatoriano para bombardear um acampamento do grupo rebelde Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). A incursão militar resultou na morte de 25 guerrilheiros, entre eles, o porta-voz da guerrilha, Raúl Reyes.
Chávez já havia ordenado que as tropas enviadas à fronteira com a Colômbia fossem retiradas do local, restabelecendo assim as relações comerciais nas pontes fronteiriças.
O Equador, por enquanto, se mantém cauteloso. O presidente Rafael Correa, disse que seu país não vai restabelecer imediatamente as relações diplomáticas com a Colômbia, e que será elaborado um "cronograma" para um novo diálogo. Durante a crise, Correa reivindicou que a OEA condenasse a Colômbia por violação de sua soberania territorial.
Investigação
Apesar da "trégua" selada na sexta-feira, o presidente da OEA, José Miguel Insulza, disse que ainda falta "fechar bem a crise" entre os países andinos.
- Acredito que ainda é necessário fazer uma quantidade de trâmites e fechar bem esse processo - disse Insulza, logo após reunião com o presidente equatoriano para dar início aos trabalhos de uma comissão que investigará a incursão militar colombiana.
A comissão integrada pelos embaixadores de Brasil, Argentina, Bahamas, Panamá e Peru deve viajar nesta segunda-feira à Província amazônica equatoriana de Sucumbíos, local onde o Exército colombiano bombardeou o acampamento das Farc para produzir um relatório que será discutido na reunião de chanceleres da OEA, no dia 17.
- É importante concluir bem este processo e para isso é importante saber e ter a opinião coletiva de como ocorreram as coisas. O primeiro passo é esclarecer os fatos que ainda não estão claros. Segundo (passo) é propor mecanismos necessários não somente para uma melhor relação entre os países, mas também para que esses fatos não voltem a ocorr