O governo da Venezuela deve desapropriar duas fazendas de gado pertencentes à empresa britânica Vestey Group, disseram autoridades. Essa foi a empresa que, no começo do ano, viu outras duas de suas propriedades serem requisitadas pelo programa de reforma agrária do país.
O Instituto Nacional da Terra (INT) decidiu que as fazendas La Bendicion Ramera e Hato San Pablo Paeno podem ser usadas para projetos agrários do governo, sob a lei que permite o confisco de terras consideradas improdutivas ou cuja propriedade é duvidosa.
A empresa Agroflora, uma subsidiária da Vestey na Venezuela, afirmou que não se manifestaria a respeito da decisão mais recente. Mas os advogados dela já apelaram da manobra do governo para confiscar uma outra fazenda.
"Ainda não fomos oficialmente notificados", disse à Reuters a presidente da Agroflora, Diana dos Santos.
La Bendicion Ramera, que possui 27.273 hectares, está localizada no Estado de Apure (sul). Seus proprietários não conseguiram mostrar documentos comprovando a propriedade da terra e não provaram que a área era produtiva, disse o INT.
A fazenda Hato San Pablo Paeno, com 18.803 hectares, foi declarada terra improdutiva e de origem pública, permitindo que órgãos do governo usem-na em projetos agrários.
Após ter vencido um plebiscito no ano passado, o presidente Hugo Chávez prometeu acelerar o processo de distribuição de terras. A medida seria parte do que o dirigente chama de sua revolução socialista contra a pobreza.
Mas proprietários de terra, associações de criadores de gado e líderes da oposição consideram que a lei fere o direito à propriedade privada. Eles temem que Chávez esteja levando o país para um modelo próximo ao de Cuba.
A empresa Vestey já viu outras duas de suas fazendas serem declaradas improdutivas pelo governo apenas neste ano. A Vestey, que trabalha na Venezuela há um século, opera 14 fazendas no país sul-americano.
Autoridades britânicas dizem estar monitorando o caso.