Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2026

Venezuela começa substituir Colômbia pelo Brasil na pauta comercial

Sexta, 21 de Agosto de 2009 às 10:04, por: CdB

Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Brasil, Miguel Jorge reiterou, nesta sexta-feira, que as empresas brasileiras “estão prontas” para ocupar o espaço do mercado colombiano na Venezuela, após o corte nas relações comerciais entre os dois países, a partir do protesto do mandatário venezuelano, Hugo Chávez, contra a instalação de bases militares norte-americanas próximas à fronteira com o seu país.

– Temos capacidade de produção, competitividade e temos proximidade em relação à logística – afirmou o ministro em entrevista aos jornalistas.

Miguel Jorge, que lidera uma comitiva com 80 empresários brasileiros que negociam novos acordos comerciais com o governo venezuelano em Caracas, disse que agora só depende do governo da Venezuela.

– Depende do comprador, estamos prontos para vender, independentemente das razões – acrescentou.

'Ventos da guerra'

A Venezuela congelou as relações comerciais e diplomáticas com a Colômbia após o anúncio, pelo governo colombiano, de um acordo militar que pode permitir aos Estados Unidos a utilização de sete bases militares na Colômbia. Chávez considera a instalação das bases como uma "ameaça à paz regional" e a seu governo e chegou a afirmar que os "ventos da guerra" começaram a soprar na América do Sul. Na ocasião, o governo da Venezuela anunciou um plano de substituição de importações colombianas, que, de acordo com funcionários do governo, pode ser concluído em um ano.

O ministro Miguel Jorge indicou que o Brasil estaria disposto a ocupar o espaço que será deixado pela Colômbia na pauta de importações venezuelanas. Se isso ocorrer, e o Brasil ganhar a disputa com a Argentina, que também está de olho em ocupar espaços dos empresários colombianos, o país pode se converter no segundo principal parceiro comercial da Venezuela, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, cuja pauta de exportações está baseada no setor petrolífero.

Mercosul

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio defendeu a entrada da Venezuela ao Mercosul - processo em tramitação no Congresso Nacional - como caminho para incrementar o fluxo comercial entre Brasil e Venezuela.

– Os empresários são muito pragmáticos. Se a Venezuela não fosse boa para nós, nós não estaríamos aqui – acrescentou.

O deputado federal William Woo (PSDB) da comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional , que até agora se opunha à entrada da Venezuela ao Mercosul , disse que o pragmatismo o fez mudar de idéia. Woo acompanha a comitiva empresarial em Caracas.

– Quando vi os números da balança comercial, deixei de me preocupar com a leis venezuelanas para rádio e televisão, se deram a concessão ou não para um canal (RCTV). A Venezuela é o principal parceiro comercial do Brasil, é um mercado aberto que nos privilegia, diferente da Argentina – afirmou aos jornalistas.

No ano passado, a balança comercial com a Venezuela alcançou US$ 5,7 bilhões com superávit de US$5,1 bilhões para o Brasil. Em consequência da crise econômica internacional, neste ano o comércio bilateral pode sofrer uma queda de até 15%. Entre os novos acordos que podem ser fechados com o governo venezuelano está a venda de 20 aviões comerciais da Embraer com um valor estimado em US$ 700 milhões.

Outros convênios nas áreas de agricultura, defesa e tecnologia também podem ser assinados no próximo encontro bilateral entre Chávez e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi adiada devido a Cúpula da Unasul, sem nova data prevista.

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