Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2026

Veneno de escorpião pode ser usado no combate a tumores no cérebro

Pesquisadores desenvolveram uma espécie de veneno de escorpião sintético para ser usado no combate a tumores no cérebro. O veneno é um portador de material radioativo que atua em células que continuam no corpo depois de cirurgias de remoção de tumores. (Leia Mais)

Terça, 01 de Agosto de 2006 às 07:12, por: CdB

Pesquisadores desenvolveram uma espécie de veneno de escorpião sintético para ser usado no combate a tumores no cérebro. O veneno é um portador de material radioativo que atua em células que continuam no corpo depois de cirurgias de remoção de tumores.

De acordo com artigo publicado na revista científica norte-americana Journal of Clinical Oncology, a técnica foi testada em 18 pacientes e outros casos ainda serão estudados.
Resultados preliminares indicam que o tratamento é bem tolerado e pode ser eficiente no combate a tumores.

O tratamento é sugerido para casos de glioma, uma forma grave de tumor cerebral. Pacientes com glioma têm apenas 8% de chances de sobreviver nos dois anos após o diagnóstico. Em cinco anos, a probabilidade é de 5%.

Sobrevivência

Apesar dos avanços nas técnicas de cirurgia, radioterapia e quimioterapia, houve poucas vitórias da ciência no campo dos gliomas.

Cientistas do Cedars-Sinai Medical Center, na Califórnia (Estados Unidos), fizeram suas pesquisas usando TM-601, uma versão sintética de um peptídio que é encontrado no escorpião gigante amarelo israelense.

O peptídio tem a capacidade singular de ir da corrente sangüínea diretamente para o cérebro, e consegue afetar células de glioma.

Todos os pacientes submetidos aos testes haviam passado anteriormente por cirurgias de remoção de tumor.

A dose de TM-601 foi administrada entre 14 e 28 dias depois de cada operação através de injeção. Seis pacientes receberam doses extras da droga.

Um dos principais objetivos do estudo era avaliar a tolerância das pessoas às doses. A pesquisa registrou poucos efeitos colaterais.

A média de tempo de sobrevivência dos casos analisados foi de 27 semanas, mas dois pacientes resistiram por 33 e 35 meses após as cirurgias.

Análises de laboratório mostraram que a maior parte da radioatividade transmitida pela droga desapareceu depois de 24 horas.

O pouco de radiação que sobrou ficou localizada na cavidade do tumor, o que sugere que a droga reagiu com células do tumor, e não com as células normais do cérebro.

- Nós estamos usando o TM-601 principalmente como uma substância para conduzir o material radioativo para as células de glioma, mas dados sugerem que ele também pode diminuir o ritmo de crescimento de células de tumores - afirmou neurocirurgião do Cedars-Sinai Medical Center, Adam Mamelak, um dos autores do estudo.

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