Vendas no varejo voltam a subir apesar das restrições ao crédito
As vendas no varejo brasileiro voltaram a crescer em maio após a queda do mês anterior, mostrando, segundo o IBGE, que o setor conseguiu contornar em parte as medidas do governo para frear o consumo graças a queda de preços de alguns produtos importantes.
As vendas no varejo brasileiro voltaram a crescer em maio após a queda do mês anterior, mostrando, segundo o IBGE, que o setor conseguiu contornar em parte as medidas do governo para frear o consumo graças a queda de preços de alguns produtos importantes.
A alta foi de 0,6% em maio sobre abril e de 6,2% em relação a igual mês do ano passado, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta terça-feira. Analistas ouvidos pela agência inglesa de notícias Reuters previam alta mês a mês de 0,5% e avanço anual de 5,8%.
– Em princípio, você tem agora em maio uma volta aos níveis de venda. Pode haver um novo escorregão, mas a tendência, pela conjuntura, é essa de expansão. Passamos por abril e o comércio voltou às atividades normais. A tendência que se mostra é de um resultado bom, mas não tão bom quanto 2010... até porque a perspectiva é de um crescimento mais moderado da economia – disse o economista do IBGE Reinaldo Pereira.
A expansão de vendas foi quase generalizada, sendo que apenas os setores de Combustíveis e lubrificantes e de Artigos de uso pessoal e doméstico tiveram variação negativa entre abril e maio. Já os setores mais sensíveis ao crédito, como Móveis e eletrodomésticos, Equipamentos e materiais para escritório e Veículos, apresentaram um bom desempenho em maio desse ano
Os Eletrodomésticos avançaram 1,3% sobre abril e 20,4% ante maio de 2010. O segmento de Equipamentos de escritório, comunicação e informática aumentou as vendas em 11,6 e 14,7%, respectivamente. O de Veículos, motos e peças teve alta de 0,2% mês a mês e de 25,9% ano a ano.
Pereira destaca que esses três setores estão sendo beneficiados pela queda de preços, e, consequentemente, vêm enfrentando com certa tranquilidade o impacto das medidas macroprudenciais e as altas de juros adotadas pelo governo para conter a inflação.
– O cenário para o comércio desses produtos continua favorável, independentemente dessas medidas macroprudenciais. As vendas das atividades mais sensíveis ao crédito continuam fluindo. O crédito ao consumidor pode estar mais caro e restrito, mas os preços estão bem mais baixos, até com deflação. Os preços estão convidativos ao consumo... O dólar mais baixo torna a montagem mais barata, as importações mais baratas e puxa a concorrência – afirmou ele.
De acordo com o IBGE, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses acumulou alta de 6,55% até maio, os eletrodomésticos têm deflação de 6,3%; os veículos de 3,5% e os microcomputadores de 14,13%.
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