Vendas no varejo seguem em alta, embora menor do que previram analistas
As vendas no varejo brasileiro cresceram pelo sétimo mês seguido em setembro ao avançarem 0,5% ante agosto, porém o ritmo mostrou desaceleração e ficou abaixo do esperado.
As vendas no varejo brasileiro cresceram pelo sétimo mês
As vendas no varejo brasileiro cresceram pelo sétimo mês seguido em setembro ao avançarem 0,5% ante agosto, porém o ritmo mostrou desaceleração e ficou abaixo do esperado. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também informou nesta quarta-feira que sobre setembro de 2012 as vendas registraram crescimento de 4,1%, no pior desempenho para o mês neste tipo de comparação desde 2003 (-2,8%).
A mediana das projeções de analistas ouvidos pela agência inglesa de notícias Reuters apontava para alta de 0,7% nas vendas em setembro ante o mês anterior e de 4,50% na comparação anual. Segundo o IBGE, os resultados mais fracos que o esperado são explicados pela combinação de inflação, câmbio e economia morna.
– O comércio é resultado do comportamento econômico do país. Os números são positivos mas não no patamar que se esperava – avaliou o economista do IBGE Reinaldo Pereira.
Médicos
Na comparação mensal, cinco das oito atividades pesquisadas no varejo restrito tiveram crescimento. Os principais destaques foram outros artigos de uso pessoal e doméstico, com avanço de 2,4%, e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com alta de 1,3%. Já o avanço do setor de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, de 0,6%, foi afetado pela alta do dólar e pela inflação. Isso porque embora a alta dos preços tenha dado recentemente sinais de arrefecimento, a inflação vem sendo pressionada pelos alimentos.
Em 12 meses até setembro, o IPCA acumulou alta de 5,86%, enquanto a alimentação em domicílio chegou a 8,7%, segundo o IBGE.
– Os alimentos sobem menos mas ainda estão num nível elevado. E ainda teve o efeito da alta do trigo por problemas de oferta e do dólar. Isso encareceu os preços de macarrão, biscoito, pães e outros derivados – disse a economista do IBGE Aleciana Gusmão.
Informática
Na ponta oposta, tiveram resultados negativos equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com queda de 0,7%, seguido pelo recuo de 0,2% em móveis e eletrodomésticos. Ambos foram afetados pelo dólar alto, segundo o IBGE. Já as vendas no varejo ampliado --que incluem veículos e material de construção – mostraram queda de 0,7% em setembro ante agosto, com recuo de 5,1% nas vendas de veículos e motos, partes e peças.
O IBGE também informou nesta manhã que a receita nominal teve alta de 0,8% em setembro ante agosto e avançou 10,6% sobre um ano antes, considerando o varejo restrito.
"O resultado mostra acomodação do crescimento das vendas no varejo. (Mas) o consumo das famílias ainda é o grande pilar do crescimento econômico, embora tenha enfraquecido", afirmou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, para quem o varejo deve encerrar o ano com alta de 5,5%, e a economia, com expansão de 2,1%.
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