Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Vendas no varejo melhoram, amparadas por programas sociais

As vendas no varejo brasileiro subiram em maio acima das expectativas dos analistas tanto na comparação com abril como com maio de 2008, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta terça-feira. O crescimento sobre abril foi de 0,8%, com ajuste sazonal. Na comparação com maio de 2008, houve expansão de 4%. (Leia Mais)

Terça, 14 de Julho de 2009 às 09:26, por: CdB

As vendas no varejo brasileiro subiram em maio acima das expectativas dos analistas tanto na comparação com abril como com maio de 2008, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta terça-feira. O crescimento sobre abril foi de 0,8%, com ajuste sazonal. Na comparação com maio de 2008, houve expansão de 4%.

Economistas consultados pela agência inglesa de notícias Reuters previam um crescimento mês a mês de 0,4% e uma alta de 3% ante maio de 2008. O IBGE acrescentou que os dados de abril foram revistos. Na comparação com março, a queda preliminar de 0,2% passou para queda de 0,1%. E em relação a abril de 2008, a alta de 6,9% foi revisada para acréscimo de 7,1%. Nos cinco primeiros meses do ano, as vendas cresceram 4,4%, contabilizando uma expansão de 6,5% em 12 meses.

Após dois meses em queda, as vendas do varejo brasileiro cresceram de forma generalizada em maio, superando as estimativas dos analistas tanto na comparação mensal como anual. O principal suporte veio da renda, bem como estímulos fiscais do governo. Dos 10 setores pesquisados em maio, apenas o de máquinas e equipamentos para escritório apresentou uma variação negativa (-11,6%) na comparação de maio com abril.

– A gente vê uma tímida melhora no crédito, na confiança do consumidor, o desemprego está estável e a massa salarial está subindo num cenário de inflação mais baixa. As políticas de incentivo do governo, como a redução do IPI, repercutem na venda de automóveis e materiais de construção. Os sinais para eletrodomésticos são mais tímidos – disse o economista do IBGE Reinaldo Pereira a jornalistas.

O economista-sênior do BES Investimentos, Flávio Serrano, reforça que os dados do varejo mostram que a renda continua sendo um suporte importante para a atividade econômica do país, garantido um comportamento diferenciado da atividade local frente às principais economias do mundo.

– Setor externo e bens de capital ainda sofrem bastante, mas bens de consumo duráveis já reagem aos estímulos concedidos, e bens de consumo não-duráveis seguem com bom desempenho derivado da massa salarial em expansão – afirmou.

O varejo ampliado, que inclui os setores de automóveis e construção civil, cresceu 3,7% em relação a abril e, 3,3% frente a maio de 2008. Na comparação com maio de 2008, houve expansão de 4% nas vendas do varejo, acima da alta de 3% calculada por analistas, mas abaixo dos 7,1% observados em abril, mês influenciado pela ocorrência da Páscoa.

Ainda, o acréscimo de 4% foi o mais baixo para um mês de maio desde 2005 (2,7%). O setor de super e hipermercados impulsionou as vendas ante maio de 2008. Esse segmento respondeu por quase 80% da taxa, o equivalente a 3,1 pontos percentuais.

– Isso comprova a força a demanda interna mesmo com a crise. Além disso, políticas de assistência social como Bolsa Família e Seguro Desemprego foram até fortalecidas – avaliou Pereira.

O IBGE acrescentou que os dados de abril foram revistos. Na comparação com março, a queda preliminar de 0,2% passou para queda de 0,1%. E em relação a abril de 2008, a alta de 6,9% foi revisada para acréscimo de 7,1%. Nos cinco primeiros meses do ano, as vendas cresceram 4,4%, contabilizando uma expansão de 6,5% em 12 meses.

Perspectiva

A perspectiva para o mês de junho é que existe um ambiente mais favorável para o comércio.

– Há um sentimento de que o pior da crise já passou. Se isso que se fala é verdade, a tendência é positiva para o comércio nacional – afirmou Pereira.

Flávio Serrano, do BES Investimentos, observa que a massa salarial continua crescendo --mesmo que em um ritmo mais modesto do que era verificado até o final do ano passado, o que deve garantir sustentação para as vendas do varejo.

– Esperamos mais um bom resultado em junho – disse.

Bens duráveis

No Estado de São Paulo, a intenção de compra dos consumidores de bens duráveis, para o terceiro trimestre deste ano, sofreu elevação de 1,8 ponto porcentual, para 74,2%, na comparação com o segundo trimestre. As informações constam da pesquisa do Programa de Administração do Varejo (Provar), divulgado nesta terça-feira pela Fundação Instituto de Administração (FIA). O resultado é 12,4 pontos porcentuais superior ao do mesmo período do ano passado. Segundo o Provar, este é o melhor resultado da série iniciada em 1999.

Quanto ao terceiro trimestre de 2008, os maiores crescimentos na intenção de compra foram registrados nos itens automóveis (41,2%), móveis (34,6%), eletroeletrônicos (32,6%), materiais de construção (27%), cama, mesa e banho (16,7%), linha branca (13,1%) e informática (2,8%). Já o segmento telefonia e celular teve variação zero, enquanto cine e foto e eletroportáteis apresentaram retração nas intenções de compra.

Ainda segundo o Provar, "há nitidamente uma tendência de melhora da confiança dos indivíduos em adquirir novos produtos", quando comparado ao trimestre anterior. "O consumidor deverá continuar sensível ao ambiente de ofertas, promoções e desoneração fiscal que vem sendo amplamente comunicado", acrescenta o documento

No total das compras previstas para ocorrer no terceiro trimestre, os produtos de informática lideram a intenção de compra de 500 consumidores paulistanos, com 14,2%, seguido por linha branca (12,2%), cine e foto (11,6%), móveis (10,4%), telefonia e celulares (9,8%), eletroeletrônicos (9,2%), materiais de construção (7,4%) e automóveis e motos (6,8%).

Tags:
Edições digital e impressa