As vendas no varejo brasileiro cresceram 1,5% em fevereiro sobre janeiro e 3,8% na comparação com igual mês do ano passado, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quinta-feira. O impacto menos agudo da crise sobre o mercado de trabalho brasileiro do que em outros países está ajudando o comércio nacional a resistir às turbulências em 2009.
– Há uma sensação de estamos passando pela crise – disse o economista do IBGE Reinaldo Pereira, ao avaliar o crescimento das vendas no varejo em fevereiro. Foi o segundo mês consecutivo de expansão das vendas ante o mês imediatamente anterior.
O desempenho das vendas em fevereiro se compara à previsão de economistas ouvidos pela Reuters, segundo a mediana, de alta mensal de 1,1 % e crescimento na comparação anual de 3,65 %.
Conforme o IBGE, no primeiro bimestre as vendas acumularam expansão de 4,9 % e nos últimos 12 meses, de 8 %.
Segundo Pereira, as demissões menos intensas no começo da crise e as contratações observadas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) nos meses de fevereiro e março mantiveram o mercado interno forte o suficiente para "encarar" a crise.
– Independentemente da crise, o comércio responde ao mercado interno com dados positivos. As demissões (no Brasil) foram menores que nos Estados Unidos e na Europa, e já houve contratações nos últimos meses. Sem perda de renda, o mercado interno se sustenta com consistência – disse ele a jornalistas.
De acordo com o IBGE, a massa salarial no país subiu em fevereiro 6,2 % em relação ao mesmo mês de 2008. O setor de super e hipermercados exemplifica a manutenção do poder de compra do brasileiro em meio à crise global. As vendas do setor subiram 2,9 % em fevereiro ante janeiro e avançaram 5,6 % contra o mesmo mês de 2008, neste último caso representando 74 % da taxa global de alta de 3,8 %. Nos dois primeiros meses do ano, o setor de super e hipermercados cresceu mais que o comércio brasileiro, com expansão acumulada de 6,3 %.
Pereira destacou que a inflação mais baixa dos alimentos também impulsiona as vendas do segmento de super e hipermercados:
– Esse é um setor que depende da renda e do mercado interno. O que segura o mercado é a massa salarial. Com a inflação diminuindo, há uma aumento da renda real.
Com a manutenção da redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos, o setor automotivo mostrou sinal de recuperação em fevereiro ante o mesmo mês do ano passado. Depois de cair desde outubro do ano passado, as vendas de carros, motos e peças cresceram 0,1 % na comparação com fevereiro do ano passado.
– Isso é redução de imposto. Foi uma resposta do governo à crise – analisou Pereira.
Ele frisou que os segmentos que dependem do crédito continuaram a ser penalizados pela crise em fevereiro. O setor de móveis caiu 1,2 % ante janeiro e 2,1 % frente a fevereiro de 2008.
– O crédito para o consumidor ainda existe. Ele está mais caro e mais curto. Em um momento de crise, é natural o consumidor ficar mais cauteloso – concluiu.