Vendas no varejo brasileiro sobem mais do que o esperado em outubro
As vendas no varejo brasileiro subiram 1% em outubro na comparação com o mês anterior, terceira alta seguida e com ritmo acima do esperado, influenciado pela recuperação no segmento de supermercados.
O IBGE informou ainda que o volume de vendas no varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, subiu 1,7% em outubro
As vendas no varejo brasileiro subiram 1% em outubro na comparação com o mês anterior, terceira alta seguida e com ritmo acima do esperado, influenciado pela recuperação no segmento de supermercados.
Na comparação com um ano antes, as vendas avançaram 1,8%, informou o informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
O resultado de outubro na comparação mensal foi o mais forte para o mês desde 2009 (2%) e ficou bem acima da expectativa em pesquisa da Reuters, de avanço de 0,50%, igualando a projeção mais alta. Para a base anual, a expectativa mediana era de alta de 0,95 por cento.
O IBGE informou que o volume de vendas em sete das oito atividades pesquisadas no varejo restrito subiram em outubro na comparação mensal, com destaque para o segmento de Hipermercados e supermercados, que recuperou a perda de 0,2% do mês anterior ao avançar 1,3% em outubro.
Segundo o instituto, o setor foi favorecido pela taxa de desemprego baixa, que em outubro atingiu o menor nível para o mês, bem como pela melhora na renda. Soma-se a isso, segundo o consultor do IBGE Nilo Lopes, os trabalhos temporários criados com a eleição naquele mês.
"A eleição sem dúvida gera uma renda extra, tem mais gente trabalhando... A economia movimenta mais recursos, isso é inegável", destacou ele.
Já o segmento de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação registrou a maior alta mensal em outubro, de 3,5%, após queda de 1,9% em setembro.
O único resultado mensal negativo foi visto em Livros, jornais, revistas e papelaria, de 0,9%.
O IBGE informou ainda que o volume de vendas no varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, subiu 1,7% em outubro sobre o mês anterior, impulsionado por Veículos e motos, partes e peças, que avançaram 4,3% no período.
Moderação
Apesar do terceiro resultado positivo, o cenário para o setor ainda é frágil neste final de ano, com algumas sinalizações que podem pesar sobre o varejo. Em novembro, o Índice de Confiança do Consumidor da Fundação Getulio Vargas (FGV) atingiu o menor nível em seis anos. Além disso, os custos dos empréstimos estão maiores, após a Selic ter sido elevada a 11,75%.
"Avaliamos que as vendas de automóveis deverão voltar a apontar contração nos meses seguintes, como reflexo da menor renda disponível das famílias que assumiram dívidas no passado e do encarecimento do crédito... Essa mesma tendência prejudicará os segmentos que comercializam outros bens de consumo duráveis", escreveu em nota economista-chefe da corretora Concordia, Flávio Combat, que vê expansão de 2% no varejista restrito neste ano, muito aquém do avanço de 4,3% visto em 2013.
O país saiu da recessão técnica no terceiro trimestre com crescimento de apenas 0,1%, e a expectativa de economistas na pesquisa Focus do Banco Central é de expansão neste ano de apenas 0,18%.
"As vendas no varejo estão recuperando parte das vendas lá de trás... É uma tendência (que existia antes) de moderação", disse o economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.