As vendas reais da indústria fluminense caíram 32,25% em agosto em relação a julho, de acordo com o Boletim Indicadores Industriais, divulgado nesta quarta-feira pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Excluídas as características próprias do período – dessazonalizadas -, os números revelam que a queda atingiu 28,4%.
O chefe da Divisão de Estudos Econômicos da Firjan, Patrick Carvalho, disse que a retração já reflete a alta dos juros no país.
- Com certeza o aperto monetário já vem, de certa forma, sendo incorporado nas vendas industriais tanto do estado do Rio quanto do Brasil. Já era o que a gente previa - disse.
Segundo ele, a crise econômica internacional poderá agravar esse cenário.
- Já temos a certeza da crise. O que é incerto, por enquanto, é a magnitude e o impacto da crise na economia brasileira como um todo - disse.
Para Patrick Carvalho, as indústrias vão sentir a crise internacional principalmente no acesso de crédito.
Diante desse quadro, segundo o economista, a Firjan defende a realização de reformas estruturais.
- Já está mais do que na hora de o governo encarar de frente essa questão, que é dolorosa do ponto de vista político, porque mexe com muitos interesses. Mas é para o bem da nação. O Brasil tem que encarar a questão das reformas fiscal, tributária e previdenciária. Isso é inevitável. Ou o Brasil caminha para as reformas, ou não caminha mais para a frente - defendeu.
Dos 16 setores pesquisados, 14 apresentaram retração nas vendas reais em agosto. De acordo com Carvalho, é uma tendência que deverá ocorrer nos próximos meses.
- Uma forma de mitigar isso é justamente o governo sinalizar que vai proceder às reformas estruturais - disse.
Com relação ao emprego industrial, o boletim aponta uma redução de 0,22% em agosto comparado com o mês anterior, interrompendo um ciclo de alta que vinha se registrando há seis meses consecutivos, também como efeito da desaceleração da atividade.
O economista da Firjan observou, porém, que isso não significa uma reversão de tendência.
- O mercado de trabalho ainda está muito aquecido, e deve continuar assim por algum tempo. É o que têm mostrado as pesquisas mais recentes - disse.