Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Vendas da indústria caem e CNI vê impacto dos juros

Quarta, 08 de Dezembro de 2004 às 16:01, por: CdB

As vendas da indústria brasileira caíram em outubro em relação a setembro e diminuíram o ritmo de alta frente ao mesmo período do ano passado, mostraram dados divulgados nesta quarta-feira pela CNI, para quem os números já indicam um arrefecimento da atividade resultante das recentes altas na taxa Selic.

Em termos dessazonalizados, as vendas reais caíram 0,37 % em outubro contra setembro, no segundo mês consecutivo de queda, e subiram 5,95 % em relação a outubro de 2003.

No mês passado, o uso da capacidade instalada recuou para 82,7%, ante 83,1 % em setembro.

"Esboça-se assim o início de uma fase de desaquecimento das vendas industriais, na esteira do processo de intensificação da política monetária contracionista", disse a Confederação Nacional da Indústria em nota.

O Banco Central elevou os juros em 1,25 ponto percentual nos últimos três meses para 17,25% ao ano.

Para o economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco, mais grave do que os recentes aumentos nos juros são as indicações de que podem haver mais altas. "Não é uma sinalização positiva para a expectativa de crescimento da demanda e, consequentemente, para o setor produtivo", afirmou.

Ele acrescentou que os indicadores do uso da capacidade instalada sugerem que o Banco Central se precipitou ao apontar riscos de estrangulamento na oferta da produção industrial como uma das justificativas para as recentes altas nos juros.

Castelo Branco destacou que nos últimos cinco meses esse indicador tem se mantido em um patamar elevado --próximo a 83 %--, mas estável, e a expectativa é de uma queda sazonal em novembro.

"Houve um diagnóstico muito precoce de excesso de demanda na economia", disse Castelo Branco a jornalistas, acrescentado que a atividade na indústria, apesar de ainda em alta em relação a 2003, não é "explosiva".

Os números também sinalizam que as indústrias estão investindo, o que afasta eventuais pressões inflacionárias, afirmou o economista.

Apesar da queda das vendas, a indústria empregou mais em outubro. O número de empregados subiu 0,43 % em outubro --em termos dessazonalizados --em relação a setembro. Ante outubro do ano passado, a alta foi de 6,32 %, crescimento recorde na comparação em 12 meses.

Para Castelo Branco, a alta no emprego sugere que a indústria ainda aposta em que a demanda permanecerá relativamente aquecida em 2005.

O descompasso entre vendas e número de horas trabalhadas na produção --que cresceu 0,53 % em termos dessazonalizados ante setembro--indicam ainda, de acordo com o economista da CNI, que as empresas estavam formando estoques para as vendas de final de ano.

Os indicadores da CNI são levantados mensalmente com base em consultas feitas a aproximadamente 3 mil grandes e médias empresas, em 12 Estados do país.

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