Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Velho governo com novas idéias?

Por José Inácio Werneck - Resta saber se será um novo governo, com novas idéias, como está prometendo Dilma Rousseff, ou apenas o velho governo, com as velhas idéias. Nem todas as idéias do velho governo foram ruins. A principal delas, que vigora desde o primeiro mandato de Lula, é muito boa: a inclusão econômica e social.

Quinta, 30 de Outubro de 2014 às 13:00, por: CdB
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Colunista pergunta se o governo reeleito vai aplicar velhas ou novas idéias
A melhor frase de Winston Churchill para mim é aquela que diz: “A pior forma de governo é a democracia, com exceção de todas as outras”. O governo chega ao fim, elege-se um novo governo, com o voto do povo. Resta saber se será mesmo um novo governo, com novas idéias, como está prometendo Dilma Rousseff, ou apenas o velho governo, com as velhas idéias. Nem todas as idéias do velho governo foram ruins. A principal delas, que vigora desde o primeiro mandato de Lula, é muito boa: a inclusão econômica e social. É ela que leva todas as camadas da população, e não apenas as privilegiadas, a sentir que são parte do jogo. Mas o primeiro mandato de Dilma se caracterizou pela estagnação econômica e por uma inflação que vai se aproximando dos sete por cento ao ano. Tudo agravado por um crescimento que está em zero ou apenas fração acima dele. Não adiante insistir, como Guido Mantega, que isto se deve “à crise mundial”. Afinal, quando a economia americana implodiu, em 2008, arrastando consigo boa parte do mundo, Lula disse que para o Brasil tal fato não passava de uma “marolinha”. Agora, a economia americana voltou a crescer. A China e a Índia podem ter crescido menos, mas nunca deixaram de crescer. Na América Latina, apenas regimes como os da Venezuela e da Argentina, que não são exemplos para ninguém, cresceram menos que o Brasil. Dilma tem que deixar de lado medidas apenas demagógicas, como controlar o preço da gasolina, que prejudica a Petrobrás, já conturbada por escândalos. O governo precisa investir em infra-estrutura e convencer o mercado internacional que a inclusão econômica de uma grande parcela da população é um chamariz para ele voltar a acreditar no Brasil. Precisa, com plebiscito ou com referendo, partir para uma reforma política que acabe com a proliferação partidária, foco de corrupção no Brasil. Outra idéia cuja hora talvez tenha chegado é a do voto distrital, em que o mandatário é responsável perante o eleitor de seu distrito, mesmo aquele que nele não votou. O governo não pode ignorar as denúncias de corrupção. Ela custa muito caro ao Brasil, é um freio ao nosso desenvolvimento. A diminuição da corrupção liberaria vasta soma de dinheiro para investir na infra-estrutura de que o Brasil precisa. A infra-estrutura que nos fará crescer de novo. Não temos outra alternativa. José Inácio Werneck, jornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive. Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.
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