Um dos sócios da Planam, empresa envolvida na máfia das ambulâncias, o empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin prestou depoimento, nesta terça-feira, à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Sanguessugas para esclarecer dúvidas nas investigações. A comissão deverá apresentar, nesta quinta-feira, o relatório parcial sobre o envolvimento de ao menos 90 parlamentares no esquema. Luiz Antônio chegou na noite desta segunda-feira a Brasília. Deputados e senadores foram acusados de elaborar emendas ao Orçamento da União para beneficiar a Planam, que vendia ambulâncias para municípios a preços superfaturados.
O empresário volta à capital federal, onde esteve semana passada, para prestar depoimento à comissão. Luiz Antônio, que estava preso em Cuiabá, foi solto após prestar depoimento à Polícia Federal e se comprometer a colaborar com as investigações em troca do benefício da delação premiada.
Às vésperas de entregar o relatório parcial, a CPMI agendou reunião, nesta terça, para discutir detalhes do documento e decidir o futuro das investigações ao votar requerimentos. Entre os requerimentos estão as convocações dos ex-ministros da Saúde Saraiva Felipe, Humberto Costa e José Serra, que supostamente teriam participado do esquema. Estes, no entanto, deverão depor somente após as eleições, segundo disse o relator da CPMI, Amir Lando (PMDB-RO). Ao todo, 21 parlamentares envolvidos na máfia devem ter a quebra de sigilo pedida pelo relator.
Segundo o senador, o grupo de 90 parlamentares investigados pela CPI vai ser separado em três categorias no relatório: 21 que receberam dinheiro em espécie, seis citados pelo Ministério Público, mas sem evidência de participação no esquema, e 63 contra os quais há provas concretas de participação na fraude das ambulâncias. Lando adiantou também que o relatório parcial terá três partes: a primeira será uma descrição do esquema, a segunda parte fará uma análise dos tipos de crimes cometidos e de cada caso separadamente e a terceira parte serão as sugestões das medidas corretivas para evitar que o esquema se repita. Ele afirmou que cada parlamentar envolvido terá um processo separado.
Reunião
Outro ponto discutido na reunião desta terça-feira, na CPMI das Sanguessugas, foi a apresentação do relatório final das investigações, previsto para o dia 10, sobre 90 parlamentares suspeitos de envolvimento com a compra superfaturada de ambulâncias por meio de emendas ao orçamento. O relator-geral da CPMI, senador Amir Lando (PMDB-RO), anunciou que vai apresentar o relatório final na próxima quinta-feira, em reunião já convocada da comissão.
O senador Ney Suassuna (PMDB-PB), um dos parlamentares investigados, informou esteve na reunião da CPMI para tentar prestar esclarecimentos. Ele tem reclamado que não pôde, até hoje, falar aos integrantes da comissão, embora tenha tentado diversas vezes. O relator Amir Lando prometeu interceder para que Suassuna possa depor.