As estantes das livrarias Leonardo da Vinci e Berinjela, que ficam no subsolo de uma galeria na Avenida Rio Branco, se transformaram nesta terça-feira uma cachoeira suja e malcheirosa, devido a um entupimento em uma tubulação da Cedae. De manhã até a noite, a água, misturada a esgoto, jorrou do teto das lojas. No fim do dia, a Defesa Civil interditou uma das cinco salas da Leonardo da Vinci e toda a Berinjela. Muitos livros tiveram que ser retirados às pressas, com a ajuda de lojistas, e outros ficaram molhados. Os prejuízos ainda não foram calculados.
Como nada fazia parar a "enxurrada", à noite a tristeza e o desânimo tomaram conta de funcionários e aficionados por literatura que frequentam o lugar. Uma das mais tradicionais livrarias do Rio, desde a década de 50, a Leonardo da Vinci tinha, na sala que foi fechada, cerca de 30 mil livros infanto-juvenis, de turismo e culinária. Os que não puderam ser retirados foram cobertos com plástico, numa tentativa desesperada de proteger o material, nem sempre bem-sucedida. Gerente da loja e uma das sócias, Milena Duchiade estava arrasada.
Na Berinjela, a situação conseguia ser pior. Toda a loja foi fechada, e não há previsão de retomada das atividades. A proprietária, Silvia Chomski, já sabe que, depois de secar, ainda terá pela frente a árdua tarefa de eliminar o mau cheiro. Durante a entrevista concedida ao GLOBO por telefone, era possível ouvir o barulho do vazamento, por incrível que pareça, semelhante ao de uma cascata escorrendo.
A Cedae explicou que o entupimento foi causado por mau uso da rede. Um material, semelhante a estopas usadas na limpeza de máquinas de xerox, teria sido jogado na caixa de visitas da empresa, que dá acesso às tubulações. Foi identificado ainda um grande vazamento de esgoto por um cano rachado do antigo Bingo Almirante, que funcionava na Rua Almirante Barroso, próximo dali. Segundo a Cedae, embora o problema nada tivesse a ver com a companhia, os técnicos tentaram entrar na casa, mas não conseguiram. O registro do prédio foi fechado.