Rio de Janeiro, 30 de Janeiro de 2026

Vavá diz que consultou Lula sobre lobby

Depoimento de Genival Inácio da Silva, o Vavá, à Polícia Federal, diz que o presidente Lula foi sondado pelo irmão para saber se poderia colocar umas máquinas para operar na Vale do Rio Doce. Lula teria negado, segundo informou a Folha de São Paulo.

Quinta, 14 de Junho de 2007 às 08:37, por: CdB

O irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Genival Inácio da Silva, o Vavá, afirmou em depoimento à Polícia Federal que numa conversa com Lula fez "uma sondagem para saber se havia possibilidade de colocar umas máquinas [de terraplanagem] para trabalhar na empresa Vale do Rio Doce", segundo reportagem da Folha de São Paulo.

A reportagem informa que Vavá disse que o pedido foi negado pelo presidente, já que ele "não admite esse tipo de coisa".

A conversa teria ocorrido em 25 de março. Nesse mesmo dia, em diálogo gravado pela PF com o empresário Nilton Cézar Servo, apontado como um dos líderes da máfia dos caça-níqueis, Vavá, segundo a Folha, diz que "o homem [Lula] esteve aqui hoje". "Falou com você?", pergunta Servo. "Conversou. Eu falei para ele sobre o negócio das máquinas lá. Ele disse que só precisa andar mais rápido."

O irmão de Lula foi indiciado por tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio no Judiciário. A PF chegou a pedir a prisão de Vavá na Operação Xeque-Mate, mas a Justiça indeferiu o pedido.

Na terça-feira, o presidente disse duvidar que seu irmão tenha feito lobby junto ao governo. Para Lula, Vavá está mais para ingênuo do que para lobista. "Não acredito que Vavá seja lobista. Ele está mais para ingênuo."

Operação

No dia 4 de junho, a PF prendeu 76 pessoas durante a Operação Xeque-Mate. No dia seguinte, a PF anunciou a prisão de mais duas pessoas --Nilton Cézar Servo e seu filho, Victor Servo.

Cézar Servo é investigado por ser dono de máquinas de caça-níqueis em vários Estados e teria ligações com Vavá e com o compadre de Lula, Dario Morelli Filho. Os dois seriam sócios em uma casa de jogos na Baixada Santista.

Na noite do dia 6, Hércules Mandetta Neto, irmão do secretário municipal de Saúde de Campo Grande (MS), Luiz Henrique Mandetta, que estava foragido, se apresentou à PF. No dia 8, Ari Silas Portugal, também se entregou.

Com isso, a PF prendeu 80 pessoas na operação. Cinco acusados ainda estão foragidos.

Prisão

Morelli deixou o presídio federal de Campo Grande por volta das 20h desta quarta-feira. Ele foi preso no dia 4 de junho sob a acusação de corrupção ativa, formação de quadrilha, contrabando de componentes de máquinas caça-níqueis e falsidade ideológica.

O compadre de Lula era assessor técnico da Saned (Companhia de Saneamento de Diadema), mas foi afastado do cargo logo depois de ser preso.

Morelli deve retornar para São Paulo --ele mora em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo).

O juiz da 5ª Vara Federal de Campo Grande (MS), Dalton Igor Kita Conrado, decidiu anteontem decretar a prisão preventiva de nove acusados dos 27 que ainda estavam presos por ordem da Justiça Federal. Dezoito tiveram as prisões revogadas.

No total, na Operação Xeque-Mate, foram 85 mandados de prisão, incluindo os expedidos pela Justiça Estadual de Três Lagoas (MS). Ainda não há informação sobre quantos dos 40 ainda presos por ordem de Três Lagoas permanecerão na cadeia.

Entre as pessoas que vão ficar presas está Nilton Cézar Servo. Segundo a PF, a prisão dele é necessária para evitar destruição de provas. Morelli, conforme a PF, foi solto porque não era chefe da quadrilha.

Tags:
Edições digital e impressa