CIDADE DO VATICANO E ZAGABRIA, 2 AGO (ANSA) - O Vaticano negou hoje em nota que queira prejudicar a Croácia em um pedido de indenização pelo confisco de uma abadia italiana na Segunda Guerra Mundial após um impasse no acerto do valor.
A Santa Sé afirmou que a questão "é de natureza estritamente eclesiástica" e lamentou que a discussão "seja instrumentalizada" de forma "política e demagógica, como se houvesse intenção de prejudicar a Croácia".
A controvérsia iniciou-se recentemente quando o bispo da diocese croata de Parenzo-Pola, dom Ivan Milovan, se negou a assinar o acordo de indenização de 30 milhões de euros pela abadia beneditina de Praglia, em Pádua, que em 1947 foi perseguida pelas autoridades iugoslavas e teve seus bens por elas confiscados.
Diante do impasse, a Santa Sé nomeou um substituto para que levasse a cabo o acordo com os beneditinos de Praglia como ressarcimento pelos bens que já tinham sido alienados ou que não são restituíveis.
O Vaticano ainda divulgou na nota que sua decisão "destina-se exclusivamente a restabelecer a justiça dentro da Igreja, ainda que com um ressarcimento parcial", pois considera que a indenização não cobre todos os custos dos bens originários da diocese.
O comunicado ainda atestou que "as razões expostas pela diocese de Parenzo-Pola sempre foram tidas em consideração e recebidas segundo critérios de equidade e justiça na decisão pontifícia" de acionar a indenização e expressou que "dói" que "a decisão da Santa Sé seja contestada como se fosse parcial ou até mesmo sem fundamento adequado".
O embate tornou-se uma questão diplomática entre o Estado do Vaticano e o da Croácia quando a premier croata, Jadranka Kosor, anunciou que usaria todos os meios diplomáticos para ajudar o bispo de Pola e evitar o pagamento.
Ela declarou ontem que escreveria uma carta pessoal para o papa Bento XVI e uma oficial para o secretário de Estado vaticano, cardeal Tarciso Bertone, após anunciar que chamou em caráter de urgência o embaixador croata junto à Santa Sé, Filip Vucjak.
O presidente croata, Ivo Josipovic, advertiu ainda que não se podem violar os acordos internacionais, em referência aos Acordos de Osimo de 1975, segundo os quais os monges beneditinos italianos já foram ressarcidos e não se pode indenizá-los duas vezes. (ANSA)
VATICANO NEGA QUERER PREJUDICAR CROÁCIA COM INDENIZAÇÃO
Terça, 02 de Agosto de 2011 às 08:16, por: CdB