O papa João Paulo II, considerado um santo por muitos católicos antes mesmo de sua morte em abril, teve lançado, na terça-feira, o processo que pode incluí-lo no rol de santos da Igreja.
Um tribunal composto por seis integrantes -- entre os quais o defensor da beatificação de João Paulo II, um juiz e um "advogado do diabo" que será responsável por levantar objeções à causa -- foi nomeado em uma cerimônia realizada na Basílica de São João de Latrão, em Roma.
Falando em latim, eles fizeram voto de segredo e juraram não aceitar qualquer presente relacionado com o caso.
- Rezamos para Deus, com todos os nossos corações, para que a causa de beatificação e canonização iniciada nesta tarde possa rapidamente chegar a seu final - disse o cardeal de Roma, Camillo Ruini, em meio a uma salva de palmas.
Colocando de lado regras que prevêem um período de cinco anos de espera depois da morte de um candidato para iniciar o processo de beatificação, a diocese de Roma lançou o procedimento menos de três meses após a morte de João Paulo 2o. Segundo a mídia italiana, o prazo é recorde.
- Esse é certamente o processo de beatificação iniciado com mais rapidez da história moderna, ao menos desde a Idade Média - afirmou Giovanni Maria Vian, professor de história da religião na Universidade La Sapienza.
Para que alguém seja beatificado, é necessário que o candidato tenha realizado ao menos um milagre após ter morrido. O processo é um primeiro passo rumo à canonização, que exige um segundo milagre.
Ruini disse na terça-feira que a fé de João Paulo II, seu sofrimento no final da vida e o "sangue derramado" na tentativa de assassinato sofrida em 1981 eram todos sinais da santidade do papa.
O monsenhor Slawomir Oder, encarregado de defender a causa da beatificação, apresentará ao tribunal as provas recolhidas, bem como uma lista de testemunhas prontas para depor.
Na segunda-feira, Oder afirmou à Reuters ter recebido uma enxurrada de emails e cartas contando milagres ocorridos devido à intervenção do papa junto a Deus.
- Chegamos ao nível de 80 a 100 (emails e cartas) por dia... Elas vêm do mundo todo, mesmo daqueles que não são fiéis - acrescentou.
Em um dos relatos, um garoto mexicano com câncer terminal teria tido uma recuperação inexplicável após se encontrar com o pontífice.
Em seu enterro, no dia 8 de abril, a multidão gritava "santo subito" (santo já), exibindo cartazes que atestavam milagres do papa.
No mês passado, o papa Bento 16 modificou o procedimento para acelerar a possível santificação de seu antecessor.
João Paulo II fez o mesmo para a madre Tereza de Calcutá, mas mesmo no caso dela o processo só começou dois anos após a morte.