Para o Vaticano não há elementos anti-semitas no filme "A Paixão de Cristo", do ator e diretor australiano Mel Gibson, explicou à AFP o presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, o arcebispo John Foley.
"O filme não é anti-semita. Para mim, trata-se de uma meditação sobre as responsabilidades que temos como pessoas e como grupo na paixão que Cristo sofreu. Quanto aos judeus, não se deve esquecer que Jesus, a Virgem e os apóstolos eram judeus", disse.
O prelado americano, junto com o embaixador dos Estados Unidos junto à Santa Sé, James Nicholson, assistiram recentemente a uma sessão especial do filme, organizada em Roma.
O arcebispo "não teve a impressão" de que o filme poderia suscitar críticas sobre a forma como trata os judeus e, ao contrário, considera que causa "sentimentos anti-romanos", disse.
O papa João Paulo II, que assistiu ao filme em janeiro passado, não quis fazer comentários, segundo o Vaticano.
"Normalmente, o Santo Padre não faz julgamentos públicos sobre obras artísticas, já que estes dependem de várias apreciações de caráter estético", continuou o escritório de imprensa da Santa Sé.
Mel Gibson, que rodou todo o filme na Itália, conta no longa as últimas 12 horas de vida de Jesus de Nazaré.
O ator e diretor, de 48 anos, famoso por filmes de ação como Mad Max e Máquina Mortífera, é um católico fervoroso e conservador.
Em 1995, ele dirigiu um filme pela primeira vez, "Coração Valente" (Braveheart), que ganhou cinco Oscars.
O segundo filme de Gibson, que estreou nesta quarta-feira nos Estados Unidos, tem sido alvo de polêmica desde sua estréia, pois algumas organizações judaicas e críticos de cinema denunciaram o conteúdo do filme por atribuir aos judeus a responsabilidade pela morte de Cristo.