O Vaticano defendeu nesta segunda-feira sua polêmica posição de rejeição ao uso de preservativos, afirmando que a fidelidade, a castidade e a abstinência sexual são as melhores armas para deter a disseminação da aids em uma "sociedade pansexual". O presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral no Campo da Saúde divulgou um comunicado de cinco páginas no Dia Mundial de Luta contra a Aids para defender a postura do Vaticano, criticada por vários segmentos da sociedade.
Em uma mensagem dirigida aos católicos, o cardeal Javier Lozano Barragán pediu um esforço renovado para fazer com que as pessoas mudem seu estilo de vida. "Temos de apresentar isso como o principal meio de prevenir de forma efetiva a contaminação e a disseminação da aids, já que o fenômeno é uma patologia do espírito", afirmou.
A Igreja Católica opõe-se aos métodos contraceptivos artificiais, como a camisinha, cujo uso, segundo argumenta, promoveria a promiscuidade. A mensagem de cinco páginas falou sobre a "importância de respeitar os valores religiosos e morais da sexualidade e do matrimônio, ou seja, a fidelidade, a castidade e a abstinência".
Barragán, nascido no México, convidou "todo mundo a aumentar as medidas de prevenção segundo a doutrina da Igreja, a praticar a virtude da castidade em uma sociedade pansexualista". Segundo o cardeal, as campanhas de combate à doença deveriam ser baseadas em "valores humanos e espirituais autênticos em favor de uma cultura de vida e de amor responsáveis".
Em uma referência clara aos preservativos, o cardeal disse que as campanhas informativas não deveriam "se basear em políticas que incentivam estilos de vida e comportamentos imorais e hedonistas, favorecendo a disseminação do mal".