Em pronunciamento neste sábado, o Vaticano afirmou que o direito à liberdade de expressão não inclui ofender as crenças, em seu primeiro comentário sobre o escândalo envolvendo as caricaturas de Muhammad publicadas na Europa. Em um primeiro comunicado sobre o tema, o porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls, afirmou que "a coabitação entre os homens exige um ambiente de respeito mútuo, para favorecer a paz entre os seres humanos e as nações".
Ele disse também que o direito à liberdade de expressão não inclui "o direito de ferir os sentimentos religiosos dos fiéis". No entanto, qualificou de "deploráveis" as manifestações violentas praticadas no mundo islâmico em protesto contra a publicação das caricaturas. O porta-voz considerou que os atos de uma pessoa ou de um jornal não podem ser imputados ao conjunto de um país ou de suas instituições.
- A intolerância, independente de onde venha, seja real ou verbal, de ação ou reação, sempre constitui uma ameaça para a paz - acrescentou o porta-voz do Vaticano.
Ele afirmou ainda que "certas formas de críticas extremas ou gozação do outro mostram falta de sensibilidade humana e, em alguns casos, podem constituir uma provocação inaceitável".
- A história nos ensina que esta não é a forma de cicatrizar velhas feridas na vida dos povos. O direito à liberdade de pensamento e expressão, tal como diz a Declaração dos Direitos Humanos, não pode incluir o direito a ferir os sentimentos religiosos dos crentes - concluiu.