Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2026

VarigLog apela à Justiça para reverter decisão de assembléia

Terça, 18 de Julho de 2006 às 08:58, por: CdB

A VarigLog ingressou, nesta terça-feira, com ação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para impugnar a votação da GE Capital na assembléia de credores da Varig, que inviabilizou a aprovação da sua proposta de compra da endividada companhia aérea.

"É apenas um credor e não vai poder atrapalhar todo o esforço que Justiça, governo, empresa, funcionários, todos estão fazendo para manter a Varig em operação", afirmou um porta-voz da VarigLog.

Apesar de representar apenas 9% das dívidas da classe 3 de credores (sem garantias) e 5% da classe 2 (com garantia), a GE conseguiu multiplicar seus votos em diversas empresas e evitar em assembléia na noite de segunda-feira a aprovação do novo plano de recuperação judicial da Varig, que viabilizaria a compra da empresa pela VarigLog em leilão na quarta-feira.

Desde 26 de junho, a VarigLog já injetou US$ 14 milhões para evitar a paralisação da Varig, de um total de US$ 20 milhões prometidos. A empresa informou que continuará depositando recursos para a Varig até o leilão.

Recurso

Segundo fontes no judiciário, a tendência dos magistrados que julgam o caso Varig é de reverter o resultado da assembléia de credores realizada nesta segunda-feira e aprovar a proposta de compra da companhia feita pela VarigLog. A Justiça tende a considerar, ainda segundo fontes, que mais de 90% dos credores com maior volume de dinheiro a receber da Varig aprovaram a proposta e que isso seria mais significativo do que a aprovação na contagem per capita.

Presidente da Varig, Marcelo Bottini apontou a GE Capital como responsável pelo fracasso da assembléia e garantiu que, se a Varig for à falência, a responsabilidade será dela. Bottini afirmou ter recebido informação prévia de que a GE vendeu créditos a receber para o banco JP Morgan, mas preferiu não atribuir essa operação financeira à interferência de concorrentes do setor.

- A GE está dividida em várias pequenas empresas. No voto por cabeça, ela inviabilizou o resultado hoje [ontem]. Se a Varig falir, a responsável pela falência é a GE - disse Bottini a jornalistas.

Caso a oferta passasse pelo crivo da assembléia, as operações da empresa iriam a leilão nesta quarta-feira com lance mínimo de US$ 24 milhões (R$ 52,8 milhões). O comprador poderia adquirir as concessões, as aeronaves e o programa 'Smiles'. Como a proposta foi recusada, há espaço para a decretação de falência. A Deloitte, administradora judicial da Varig, mencionou em seu último relatório de acompanhamento que a empresa não conseguiria manter as operações até agosto se não fosse vendida.

A crise da Varig se agravou nos últimos meses. O número de aviões caiu de 58 em dezembro do ano passado para 13 em julho. A receita de vôo líquida recuou 83,3% no período. As operações aéreas têm sido mantidas graças a uma linha de crédito oferecida pela VarigLog no valor de US$ 20 milhões (R$ 44 milhões). Deste total, a Varig já havia recebido US$ 13 milhões (R$ 28,6 milhões) até a última quinta-feira.

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