Os representantes da Varig e TAM devem entregar nesta semana um documento ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em que se comprometem a levar até o fim o processo de fusão entre as duas empresas. O contrato de irreversibilidade é o documento exigido pelo BNDES para começar a ajudar a Varig. Os controladores da companhia informaram que precisarão de uma ajuda de US$ 120 milhões até setembro - data prevista para conclusão da fusão - para manter as operações da Varig. O problema é que o BNDES avisou que só ajudaria a qualquer uma das empresas envolvidas na operação depois de receber o contrato de irreversibilidade da fusão. Na sexta-feira passada, depois de um encontro entre representantes da Varig, TAM e banco Fator - responsável pela modelagem de fusão -, as duas companhias resolveram os "temas sensíveis" que estavam atrapalhando a assinatura do acordo de irreversibilidade. - Houve um encontro [entre Varig e TAM] nesta segunda-feira muito proveitoso e todas as questões conceituais e sensíveis ao acordo foram superadas pelas duas companhias - disse na última sexta-feira o porta-voz do banco Fator e da Varig e TAM para o processo de fusão, Roberto Müller. Nesta segunda-feira, o porta-voz afirmou que a expectativa é que o "compromisso firme de fusão deve ser entregue ao BNDES até o final desta semana". Segundo ele, técnicos da Varig e TAM passarão os próximos dias reunidos para definir as questões técnicas e jurídicas do contrato de irreversibilidade do processo de fusão, que será entregue ao BNDES. Temas sensíveis Müller não quis detalhar quais foram os "temas conceituais" que foram resolvidos entre as duas companhias aéreas. Um dos "temas sensíveis" para o acordo era uma cláusula do documento do colégio deliberativo da FRB-Par (Fundação Ruben Berta) - controladora da Varig - que aprovou o prosseguimento do processo de fusão Varig-TAM. Pela cláusula, a Sata (Serviços Auxiliares de Transportes Aéreos) e a VEM (Varig Engineering & Maintenance) prestariam serviços por sete anos para a nova empresa aérea que surgir a partir da fusão. A TAM, no entanto, reprovava essa determinação, que beneficiaria a FRB-Par, que continuaria a controlar a Sata e a VEM, que não serão incluídas na fusão. Participação acionária A FRB-Par também resistia em aceitar que a TAM viesse a ter 35% de participação na nova companhia aérea, contra uma fatia de 5% da Varig. Segundo Müller, o contrato de irreversibilidade não determina a o percentula acionário da TAM. - Não existe nada definido ainda. Tudo depende de uma negociação com os demais credores. Só que se tem é a participação da Varig - disse ele referindo-se aos 5%.
Varig-TAM se comprometem com o BNDES a levar fusão até o fim
Segunda, 02 de Junho de 2003 às 12:26, por: CdB