Em meio à possível entrada de um novo investidor, a Varig divulgou nesta quinta-feira seu melhor resultado anual desde 1999. Apesar de ter registrado prejuízo de 87,2 milhões de reais no ano passado, a empresa deixou para trás a perda de 1,8 bilhão de reais do exercício anterior.
Segunda maior companhia aérea do país, com 31% do mercado em dezembro, a Varig melhorou o resultado, registrando inclusive lucro de 217,8 milhões de reais no quarto trimestre. Mas ficou bem abaixo das principais concorrentes, TAM e Gol, que tiveram ganho recorde em 2004.
Assim como as rivais, a Varig foi favorecida pelo aquecimento do mercado interno, que fez o transporte de passageiros subir 11,9% em 2004, e pelo melhor aproveitamento das aeronaves, explicou o diretor de Relações com Investidores da empresa, Ricardo Bullara.
- O resultado operacional da companhia mostra que ela está preparada para receber qualquer tipo de processo de capitalização - afirmou Bullara à Reuters, destacando que em janeiro e fevereiro de 2005 os números da Varig continuaram "indo muito bem".
A Fundação Ruben Berta, controladora da Varig, estuda algumas propostas de aquisição de participação no capital da empresa. Uma delas seria do grupo português Pestana e existem especulações desde compra por concorrentes até pelo empresário Nelson Tanure, dono do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil.
Bullara, porém, não confirma nenhuma proposta.
- Isso é com os acionistas - limitou-se a dizer.
O fluxo de caixa da Varig continua apertado devido às obrigações da dívida, que em 2005 -somadas aos contratos de leasing de aviões - vão significar desembolso de cerca de 1 bilhão de reais, informou o diretor.
O que também deve pressionar o resultado operacional é o fim do compartilhamento de vôos com a TAM, a partir de maio.
- Nossa área de planejamento está definindo a nova malha, para concentrar nos vôos mais rentáveis - informou Bullara.
Ele admitiu que haverá queda de receita na Varig pelo término do "code sharing", "mas nada que prejudique muito a empresa".
A companhia aérea vai aumentar de 25 para 35 os vôos da ponte aérea, o trecho mais lucrativo do país, e abandonar três destinos.
A pesada dívida de 5,7 bilhões de reais registrada no final de 2004 continua a ser o principal problema da Varig. Bullara disse que 63% do total é devido ao governo. O fundo de pensão dos empregados da Varig, Aerus, representa 18 por cento e a General Electric vem em seguida, com 6 por cento. O restante está espalhado em vários credores.
Ao mesmo tempo em que tem dívida com o governo, a Varig é credora da União. No final do ano, a companhia aérea ganhou causa contra o governo no valor de 3 bilhões de reais sobre o congelamento de tarifas em planos econômicos passados.
Ação similar foi vencida em última instância pela Transbrasil, o que sinaliza para Bullara mesmo resultado para a Varig. O governo tenta acordo com a empresa, segundo o executivo.
- Somos devedores e credores. Quando a decisão (judicial) final sair, e se for favorável a nós, mudará completamente a nossa posição patrimonial - avaliou.
Em dezembro de 2004, o patrimônio da empresa estava negativo em 6,4 bilhões de reais, acima dos 6 bilhões de reais registrados um ano antes.
Varig reduz prejuízo e se diz pronta para capitalização
Quinta, 07 de Abril de 2005 às 11:50, por: CdB