Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Vargas diz que não renuncia e Conselho de Ética instaura processo

Quarta, 09 de Abril de 2014 às 10:20, por: CdB
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André Vargas foi à Tribuna da Câmara para explicar seu relacionamento com o doleiro preso
Presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o deputado Ricardo Izar (PSD-SP) manteve a reunião convocada para a tarde desta quarta-feira, para instaurar o processo contra o 1º vice-presidente da Câmara, o deputado licenciado André Vargas (PT-PR), a partir de uma representação que recebeu, na véspera, em que o PSDB, o DEM e o PPS pedem a investigação da denúncia de ligação entre o parlamentar petista e o doleiro Alberto Youssef, atualmente preso por suspeita de lavagem de dinheiro. Para Izar, a denúncia é preocupante. – Como presidente (da Comissão de Ética) a gente tem que estar sempre imparcial. Agora eu, pessoalmente, como cidadão, como deputado, pelo que a gente viu na imprensa, a gente fica assustado, é preocupante – disse. Diante da disposição do deputado de se manter no mandato, sem renunciar para evitar uma possível cassação, Izar confirma que, uma vez aberto o processo, o deputado já passa a constar na questão da Lei da Ficha Limpa. Uma vez aberta a representação, "aí a partir desse momento, ele renunciando ou não, o processo continua até o final”, afirmou. Izar pretende concluir o processo antes do recesso parlamentar, que se inicia em 18 de julho. – A minha preocupação é o prazo. Como nós temos 90 dias para concluir o processo e votar o relatório, o que eu temo um pouco é a questão da defesa. As últimas testemunhas a serem ouvidas são as da defesa, mas nós vamos fazer de tudo para encerrar esse processo antes do recesso parlamentar – disse. Depois de ser analisado no Conselho de Ética, o processo contra o deputado Andre Vargas vai para o Plenário da Câmara, onde será analisado pelo sistema de voto aberto. – A tendência agora, com o voto aberto, é que o Plenário acompanhe o relatório do Conselho de Ética. A gente viu em outros casos que o Conselho de Ética muitas vezes pedia por um relatório e ele era rejeitado aqui dentro do Plenário. O voto aberto serviu para melhorar isso e dar mais transparência para tudo – afirmou. O relator do processo será escolhido pelo presidente do Conselho entre três nomes, que serão sorteados de uma lista de 14 integrantes do Conselho de Ética que não sejam nem do PT nem dos partidos que fizeram a representação, ou seja, PSDB, DEM e PPS. Denúncias Desde o início de abril, são publicadas denúncias de ligações irregulares entre o deputado e o doleiro Alberto Youssef, preso em operação da Polícia Federal contra lavagem de dinheiro. O diário conservador paulistano Folha de S. Paulo publicou que Vargas usou um avião contratado por Youssef para uma viagem de férias a João Pessoa (PB). Neste fim de semana, reportagem da revista semanal de ultradireita Veja divulgou mensagens interceptadas pela Polícia Federal em que Vargas teria prometido ajudar Youssef em contratos que o doleiro pretendia fechar com o governo federal na área da Saúde. Defesa Andre Vargas ocupou a tribuna do Plenário, na semana passada, e afirmou que suas relações com Youssef são de amizade, com quem se relacionava há 20 anos, e que desconhecia suas atividades ilegais. A jornalistas, nesta manhã, o deputado Vargas disse que há um movimento político no qual a oposição tenta "transformar uma relação estritamente pessoal em crime", diz o 1º vice-presidente da Câmara. – Na minha visão, ele não era um doleiro, era uma pessoa reabilitada pela Justiça, já havia pago por seus eventuais crimes, era dono do maior hotel da minha cidade (Londrina) e, até novembro do ano passado, colaborador do Ministério Público. A imagem que eu tinha dele era de um cidadão normal, como qualquer outro – explica. Vargas, no entanto, admitiu que foi "imprudente" ao utilizar uma aeronave de propriedade do doleiro, mas acredita que não cometeu um crime por isso. – Conheço o Youssef há vários anos, várias vezes me encontrei com ele no hotel (de propriedade dele), pedi um favor, que foi o voo. Fui imprudente e respondo por essa imprudência. Mas não cometi crime algum, jamais tive com ele qualquer relação comercial – afirmou o parlamentar. Sobre a conversa que o deputado e o doleiro tiveram, no dia 19 de setembro do ano passado, sobre um contrato em estudo no Ministério da Saúde para a produção de medicamentos com o fabricante de genéricos EMS e o laboratório Labogen, Vargas também tem uma explicação. Segundo a PF, o doleiro é um dos donos do Labogen, uma empresa de fachada, que estaria no nome de um laranja. Youssef disse a Vargas, em mensagem: "Cara, estou trabalhando, fica tranquilo. Acredite em mim. Você vai ver quanto isso vai valer... Tua independência financeira e nossa também, é claro...". Sobre isso, o parlamentar alega que esse era um negócio de interesse para o país. – A Labogen é uma empresa que tem 31 patentes, que já existe há décadas, os remédios que seriam produzidos aqui no Brasil (para pressão pulmonar) são todos importados da China e da Índia. Para que eles fossem produzidos aqui, era preciso passar pelos trâmites legais no ministério da Saúde – disse a jornalistas. Sem renúncia Consta, na denúncia, que Vargas teria ido até o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para fazer uma gestão em favor do laboratório. O deputado explica, no entanto, que o assunto foi comentado com Padilha durante "um encontro fortuito". – Não fiz advocacia administrativa, jamais fui até o ministro (com essa intenção) – acrescentou. Sobre a mensagem em que o doleiro cita a "independência financeira" do petista, André Vargas acredita que "pode ter sido uma bravata de Alberto Youssef". O parlamentar reforça que sua prioridade absoluta não são as eleições, mas a defesa de sua honra. – Minha prioridade não é a eleição, se fosse assim, poderia ter renunciado para poder ser eleito novamente. Minha prioridade absoluta é a defesa da minha honra. Estou sendo vítima de um julgamento sumário pela mídia e espero ter no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados a minha primeira oportunidade de defesa. Lá, pretendo levar, inclusive, os autos do processo enviados ao Supremo Tribunal Federal, aos quais ainda não tive acesso – afirmou, ao negar que pretendia renunciar ao mandato. André Vargas ressaltou que o próprio juiz do Paraná que enviou parte da investigação Lava Jato ao STF – a que cita as mensagens do doleiro a Vargas – não apontou qualquer indício de crime relacionado a ele. – Não vou renunciar, nunca quis, porque a prioridade é a honra, espero poder me defender de coisas que venho sendo acusado injustamente – concluiu.
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