Parlamentares e entidades ligadas à questão de gêneros alimentam a expectativa de que mudanças na legislação eleitoral possam melhorar a representação feminina no parlamento dos atuais 11% para mais de 30%. Para isso, será necessário que a reforma política no Congresso Nacional aprove propostas que estimulem a participação das mulheres nas eleições. O assunto foi debatido numa audiência pública realizada nesta segunda (16), na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas.Integrante da comissão de reforma política do Senado, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) apresentou no colegiado uma proposta que garante 50% das vagas para mulheres e o voto em lista fechada alternada entre homens e mulheres. A ideia foi provada na comissão e seguirá para voto no plenário da Casa.
A senadora afirmou que “o debate sobre a reforma política envolvendo a questão de gênero é fundamental, portanto, não somente para as mulheres, mas para a democracia como um todo”, disse a senadora.
A pesquisa de opinião pública “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”, do ano passado, mostra que para 70% das entrevistadas, a política seria melhor se tivessem mais mulheres em postos importantes. Entre os homens, a opinião é compartilhada por 49% deles, enquanto 22% discordam.
Questionados sobre o preparo das mulheres para governar, 76% dos homens disseram que elas estão preparadas para governar o País, os Estados e as cidades. Entre as mulheres, 78% compartilharam da mesma opinião.
Dados anunciados pela senadora Vanessa Grazziotin também mostram a relação entre os sistemas eleitorais e a participação feminina. Nos países que adotam o voto majoritário, o percentual médio de mulheres entre os eleitos é de 8,5%. Naqueles que adotam o sistema misto esse número sobe para 11,3%. Nos países em que opera o voto proporcional, o percentual médio de mulheres eleitas é de 15,4%.
Pior cenário
No panorama atual da representatividade feminina na política brasileira, medida pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e pesquisa de opinião pública do Sesc/Fundação Perseu Abramo, no Senado Federal, somente 13,5% dos parlamentares são mulheres, enquanto na Câmara dos Deputados este número cai para 8,7%.
Para a senadora, o principal desafio, diante deste quadro, “é a conquista de uma reforma política sob a ótica de gênero e do reforço de sua presença nas estruturas dos partidos”.
No País, as mulheres representam 9% do comando das prefeituras, 11% das Assembleias Estaduais, 12% das Câmaras Municipais e 21% dos Ministérios. Há, ainda, três governadoras. De acordo com Vanessa, esses números colocam o Brasil entre os países com menor participação feminina no poder, mesmo na América Latina.
Vanessa leva debate sobre mulheres no parlamento para Amazonas
Segunda, 16 de Maio de 2011 às 12:26, por: CdB