Vanessa ao lado do pai, o vereador Felippe Vanessa Felippe Bethlem
Apesar de ter a vida devassada, doravante, o deputado Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ) não tocou, até agora, no motivo que levou a ex-deputada Vanessa Felippe Bethlem, ex-mulher e mãe de seus dois filhos, a divulgar para a revista semanal Época, de propriedade das Organizações Globo, uma série de vídeos e fitas de áudio com declarações que visavam comprometer sua vida pública. Vanessa levanta suspeitas quanto aos rendimentos do ex-marido, então secretário municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro. Capa da publicação, imediatamente repercutida nos demais meios de comunicação do país, chamou a atenção que, embora as redações dos meios conservadores de comunicação tenham recebido uma declaração, de próprio punho da empresária, filha do presidente da Câmara de Vereadores do Rio, Jorge Felippe (PMDB), na qual confessa ter manipulado os arquivos audiovisuais, o fato não foi citado em nenhuma das matérias publicadas neste sábado, 24 horas após a edição da revista chegar primeiro à internet e, depois, às bancas de jornal.
Prevendo qualquer possível ação judicial, a revista Época diz ter contratado o perito Ricardo Molina para analisar os vídeos e também a gravação da conversa de 2011. Mesmo desconhecendo o contexto em que ocorreram as gravações, o perito afirma não ter encontrado “ao longo de nenhuma das três gravações periciadas, qualquer indício de manipulação fraudulenta”.
“Todas (as mídias) estão íntegras e sem descontinuidades, podendo ser consideradas autênticas para todos os fins técnico-periciais”, acrescenta o perito. A publicação afirma que a gravação recebida "não tem cortes", mas admite que editou a fita e retirou um trecho "em que Vanessa se desloca em direção à câmera".
Há cerca de 20 anos, quando Vanessa Fellipe elegeu-se, na legenda do PSDB, a mais jovem parlamentar na Câmara dos Deputados, Rodrigo Bethlem, aos 22 anos, e um grupo de administradores públicos, entre eles o atual prefeito do Rio, Eduardo Paes, iniciavam suas carreiras na política. O casamento entre os filhos das famílias Bethlem e Felippe, em um dos extratos mais altos da sociedade carioca, impulsionou a carreira de ambos, mas após o primeiro mandato, em Brasília, Vanessa desistiu da reeleição. Optou pela iniciativa privada, enquanto Rodrigo prosseguiu na vida pública.
A opção de Vanessa, como admite na nota entregue e suprimida pela edição de Época, inicialmente, e depois pelas demais esferas da mídia conservadora, não lhe fez bem, ao longo dos anos. Tornou-se uma mulher com um frágil perfil psiquiátrico que, "nos últimos meses, em razão de ausência de tratamento adequado, se agravou sobremaneira, acarretando uma série de graves crises que me levaram a ter uma visão parcial, deturpada e fantasiosa de fatos envolvendo a mim, minha família, meu ex-marido Rodrigo Bethlem Fernandes e pessoas a nós relacionadas, tanto pessoal, quanto profissionalmente", admite no documento, que assinou na última quarta-feira.
Perturbada, emocionalmente, após a separação e o divórcio difíceis, Vanessa admite que passou a gravar os contatos com o marido e seus assessores, como os jornais e revistas reproduziram à larga, fosse ao receber a pensão acordada ou em discussões pessoais, ressentidas, com o pai de seus filhos. O material entregue por Vanessa, há meses, aos jornalistas, porém, continha todos os ingredientes para mais um escândalo. O timming para a divulgação do material bruto, levado a público agora, sem uma apuração mais consistente e com a supressão premeditada de uma declaração legal da própria denunciante, pareceu perfeito aos editores que, mesmo após receber o documento, consideraram oportuno o ataque direto à reputação do parlamentar peemedebista. Bethlem enfrenta, desde já, o pior momento de sua campanha. O arrependimento expresso de Vanessa por manipular o material entregue, há meses, à redação de Época e, posteriormente, à revista semanal de ultradireita Veja, no entanto, ocorreu há cerca de três semanas.
Tentativa de suicídio
Ao perceber o que havia produzido, uma vez consciente de que responderá por seus atos, provada a inocência do ex-marido, e frente à situação em que se colocou perante familiares e amigos, Vanessa voltou a procurar as redações das revistas, por intermédio do escritório do advogado Jorge Vacite Neto, e pedir que lhe fossem devolvidas todas as gravações. Diante da negativa dos editores, Vanessa desesperou-se, lançando-se do terceiro andar da garagem de um shopping na Zona Oeste do Rio. Ela ainda se recupera do atentado contra a própria vida, do qual saiu com fraturas e lesões pelo corpo, que lhe resultaram em uma longa internação hospitalar.
– Quando reiniciou o tratamento psiquiátrico é começou a recobrar a lucidez e a perceber a bobagem que tinha feito ao manipular gravações e conversas para prejudicar Rodrigo, ficou desesperada e se atirou para a morte. Ela não resistiu, ao perceber que os jornalistas não respeitaram os seus argumentos. Ao contrário, a enfrentaram e teimaram em publicar tudo, mesmo após advertidos sobre o estado de perturbação mental em que ela se encontrava – disse uma fonte próxima aos fatos, em caráter de confidencialidade, à reportagem do Correio do Brasil.
Rodrigo Bethlem, conhecedor do estado de fragilidade mental da ex-mulher, optou pelo silêncio. Procurado, esta tarde, não retornou às ligações do CdB.
Leia a seguir, na íntegra, a declaração de Vanessa Felippe BethlemEu, Vanessa Poyares Tuffy Felippe Bethlem, brasileira, divorciada, portadora da cédula de identidade nº xxxxxxx, expedida pelo IFP, inscrita no CPF/MF sob o nº xxxxxxxxx, com endereço nesta cidade, na (...) Barra da Tijuca, de livre e espontânea vontade, procurando evitar quaisquer consequências ou repercussões de atos eventualmente praticados quando em estado de evidente desorientação mental, DECLARO, para quem interessar possa que, nos termos do Laudo Psiquiátrico anexo, apresento grave quadro psiquiátrico que, nos últimos meses, em razão de ausência de tratamento adequado, se agravou sobremaneira, acarretando uma série de graves crises que me levaram a ter uma visão parcial, deturpada e fantasiosa de fatos envolvendo a mim, minha família, meu ex-marido RODRIGO BETHLEM FERNANDES e pessoas a nós relacionadas, tanto pessoal, quanto profissionalmente.Nesse período de grave crise e de severo quadro psiquiátrico, passei a acreditar que meu ex-marido estaria envolvido em uma série de situações que se mostraram inverídicas e fantasiosas. Entretanto, buscando prejudica-lo, reuni documentos descontextualizados, os quais entreguei a editoria das revistas VEJA e ÉPOCA, que não correspondem à verdade, dando aos mesmos um contexto diverso do verdadeiro e uma conotação equivocada.Atualmente, já com meu tratamento restabelecido e com um quadro de reorganização mental em curso, percebo que o cenário que acreditava existir era fantasioso e absurdo, fruto de problemas pessoais e conjugais e não de fatos verdadeiros.Percebo que meu ex-marido e demais familiares são pessoas boas, honestas, probas, cumpridoras de suas obrigações, comprometidas com seus múnus, não tendo praticado qualquer ato errado ou que possa desabonar suas condutas. O mesmo se estendendo às pessoas com quem mantém relações, sejam pessoais, sejam profissionaisRio de Janeiro, 23 de julho de 2014.VANESSA POYARES TUFFY FELIPPE BETHLEMCarteira de Identidade nº xxxxxxxxx IFP
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