Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 2026

Vândalo usa martelo para depredar estátuas de santos em Veneza

Terça, 29 de Junho de 2004 às 11:16, por: CdB

Um vândalo destruiu os braços e a barba de uma estátua de Moisés do século 15 na praça São Marcos, em Veneza, e outras estátuas religiosas da cidade perderam as mãos nos últimos quatro dias, em ataques semelhantes desferidos com martelos.

Os ataques às estátuas, que ocuparam as primeiras páginas dos jornais italianos na terça-feira, provocaram questionamentos sobre a segurança em Veneza, que não possui sistema de vigilância com câmeras de vídeo para proteger suas obras de arte e acompanhar o movimento dos milhões de turistas que invadem suas praças antigas todo ano.

O prefeito da cidade, Paolo Costa, reuniu-se com autoridades de museus para avaliar os danos e qualificou a onda de vandalismo como obra de um "louco isolado".

Na noite de domingo, segundo testemunhas, um homem na casa dos 30 anos atacou uma coluna do Palácio do Doge, na praça São Marcos, com um martelo, esmagando a estátua de Moisés.

O homem fugiu depois de um grupo de turistas italianos chamar a polícia. Na noite anterior, alguém tinha decepado as mãos das estátuas de São Marcos e São Francisco diante da Igreja do Redentor, erguida no século 16, na ilha de Giudecca.

"Pode ser a mesma pessoa, visto que os fatos ocorreram em dias tão próximos, mas não podemos afirmar com certeza, já que ninguém foi detido ainda", falou um representante da prefeitura que não quis se identificar. "A verdade é que há turistas demais."

"Veneza inteira é uma obra de arte. Precisaríamos de câmeras vigiando cada centímetro da cidade."

Um terceiro ataque com martelo, descoberto na noite de segunda-feira por um pescador, danificou o topo de uma coluna na igreja de San Pietro di Castello, a antiga catedral de Veneza.

O prefeito de Veneza rejeitou os pedidos para que seja aumentado o policiamento nas ruas da cidade dos canais.

"Veneza possui uma rede de controle muito eficiente, e nem tudo o que é feito para proteger nossos marcos arquitetônicos é observado pela imprensa", disse Paolo Costa.

No momento, uma única câmera de vídeo monitora a praça São Marcos, mas ela está em lugar tão alto que abrange a praça inteira.

Não é a primeira vez que os monumentos italianos são alvos de vandalismo.

Em 1972, o geólogo Laszlo Toth atacou a Pietà, de Michelangelo, no Vaticano, com marreta, gritando "eu sou Jesus Cristo!"

Duas décadas depois, um pintor italiano golpeou e destruiu um dos dedos do pé da estátua de Davi, de Michelangelo, em Florença.

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