O comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Ângelo avalia positivamente a ocupação que já dura uma semana na Vila Cruzeiro, na Penha, subúrbio do Rio.
- Esse final de semana nós demos um presente aos moradores da Vila Cruzeiro que é devolver os espaços urbanos para que o serviço público possa voltar lá. Vamos permanecer na favela e alcançar os algozes do Bope, vamos acabar com o tráfico de drogas - prometeu Ângelo.
A madrugada desta terça-feira foi de aparente tranqüilidade na favela Vila Cruzeiro. Segundo a polícia, não houve tiroteios na região, que está ocupada desde a última quarta-feira.
O Hospital Getúlio Vargas, que atende a região, não recebe vítimas do confronto desde a manhã de segunda-feira. Nove pessoas permanecem internadas, todas estão fora de perigo.
O Secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, reafirmou que a operação continuará por tempo indeterminado. Segundo ele, a ação não tem como objetivo apenas prender os assassinos de dois policiais militares que foram fuzilados, na última terça-feira, em Oswaldo Cruz, mesmo bairro onde o menino João Hélio foi arrastado até a morte. O secretário afirmou que a operação visa também garantir o direito de ir e vir dos moradores da comunidade.
- Posso garantir que a Vila Cruzeiro e outras regiões vizinhas são pontos estratégicos onde a polícia vai atuar. A polícia não foi lá revidar nada, foi lá agir. Nós não estamos lá simplestemente na caça de pessoas, estamos para estabelecer a ordem naquele local - disse o Secretário de Segurança.
Traficantes da Vila Cruzeiro vigiam policiais
Os traficantes da Vila Cruzeiro passaram a manhã e a tarde desta segunda-feira vigiando os passos dos policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope).
Com frases cheias de gírias, erros de português e palavrões, os traficantes acompanhavam de perto a movimentação da polícia. Além disso, eles pediam reforço de armas e munição para os comparsas e, a todo instante, desdenhavam do trabalho da polícia.
Na segunda-feira, os traficantes controlaram inclusive a entrada de um caminhão da Comlurb e de uma retroescavadeira (draga), dirigida por um policial. O equipamento foi utilizado para a retirada de trilhos fixados no asfalto para impedir o avanço dos carros da polícia. No mesmo dia, o Bope reforçou o policiamento na região. Pelo menos três carros blindados circularam pelas imediações da favela.
No início da manhã de segunda-feira, o pedreiro Edvaldo Lins, de 23 anos, foi ferido durante uma troca de tiros na Chatuba, favela vizinha à Vila Cruzeiro. Ele foi levado para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha.
De acordo com estatística divulgada pela Secretaria estadual de Saúde, desde o primeiro dia de conflito, 28 pessoas - incluindo Edvaldo Lins - ficaram feridas por balas perdidas. Outras quatro pessoas morreram, sendo uma delas o soldado Wilson Santana Lopes, do Bope.
Luz volta, mas 4,5 mil alunos continuam sem aulas
O comércio na região do entorno da Vila Cruzeiro funcionou normalmente durante todo o dia. As aulas também foram normais nas duas escolas estaduais do bairro. No entanto, cinco escolas - Juraci Camargo, Monsenhor Rocha, Leonor Coelho Pereira, Bernardo Vasconcellos e São Vicente e o Ciep Deputado José Carlos Brandão Monteiro, da rede municipal de ensino permaneceram fechados. Com isso, cerca de 4,5 mil alunos, segundo números divulgados mais recentemente pela Secretaria municipal de Educação, ficaram sem aulas.
As creches municipais Betinho, Caracol e Carlos Drummond de Andrade funcionaram precariamente. A moradora Solange Barbosa, mãe de quatro filhos, disse que desde a quinta-feira seus filhos estão sem aulas.
- Mesmo com tiroteio, desço sempre com eles na esperança de que a escola esteja funcionando. Tenho medo de uma bala perdida, mas a gente tem de continuar tocando a vida -disse a