O empresário Marcos Valério afirmou, em depoimento na CPI do Mensalão, que considera similares as operações de financiamento de campanhas eleitorais nas quais esteve envolvido em 1998 e em 2004. Na primeira, admitiu ter repassado recursos por meio de caixa dois para o então candidato do PSDB ao governo de Minas Gerais, Eduardo Azeredo. Quanto à segunda, ele disse ter atuado em conjunto com o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.
Marcos Valério negou, no entanto, que tenha firmado um pacto com Soares para captação de recursos:
- Eu devo ter feito um pacto para ele destruir a minha vida. Esse pacto com o senhor Delúbio eu não faria nunca. Minha filha hoje me vê na televisão como o ladrão número um do Brasil.
O empresário também afirmou que Delúbio Soares foi o responsável por intermediar os quatro encontros que manteve com o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, sempre representando empresas para negociações com o governo federal. E confirmou que o secretário licenciado do PT Sílvio Pereira pediu a ele que ajudasse a ex-mulher de José Dirceu a financiar um apartamento, assim como que arranjasse um emprego para ela no Banco de Minas Gerais (BMG).
Ódio explícito
Marcos Valério disse também que não obteve qualquer vantagem do ex-ministro da Casa Civil e hoje deputado José Dirceu (PT-SP), de quem se considera inimigo atualmente.
- Eu não morro de amores pelo deputado José Dirceu - comentou Valério.
- O senhor concorda que ele é prepotente e arrogante? - perguntou o o deputado Wladimir Costa (PMDB-PA)
- Concordo em gênero, grau e número - respondeu o empresário, que minutos antes afirmara que Dirceu conhecia todas as operações de empréstimo ao PT.