De acordo com uma fonte que acompanha de perto as discussões, as duas empresas estão interessadas em usar para consumo próprio parte dos 30% da energia gerada que, segundo diretriz do Ministério de Minas e Energia, poderão ser vendidos para consumidores livres, a critério do vencedor.
Os outros 70% dos 3.150 megawatts (MWs) produzidos deverão ser necessariamente destinados às distribuidoras de energia, em tarifa de ambiente regulado, geralmente menor do que os preços praticados pelo mercado.
O fechamento do acordo dependeria apenas da definição da fatia de participação das empresas e do custo pelo qual terão a energia, se o consórcio liderado por Furnas-Odebrecht sair vencedor do leilão marcado para o próximo dia 10 de dezembro.
A Vale informou, por meio da sua assessoria de comunicação, que está discutindo formas de participar do empreendimento, inclusive com outros consórcios, mas não confirmou que as discussões com Furnas-Odebrecht estejam próximas de um acordo. A Votorantim, por sua vez, informou, também por meio da assessoria, que está avaliando a sua participação no consórcio.
A assessoria da Odebrecht confirmou que está em negociações com empresas interessadas em investir no projeto, mas enfatizou que o quadro final ainda não está definido.
Menor preço
A dez quilômetros de Porto Velho, Santo Antônio, nome da cachoeira onde será instalada a usina, é a primeira das duas hidrelétricas do Complexo Madeira a ser licitada. A de Jirau, a 130 km da capital, deverá ir a leilão no início de 2008. O investimento necessário para cada hidrelétrica é avaliado em cerca de R$ 10 bilhões.
O leilão será realizado pela internet e funcionará em um sistema de lance invertido, ou seja, ganha quem oferecer a menor tarifa para a venda da energia, sem que esse valor ultrapasse o teto de R$ 122/MWh.
A outorga concede ao vencedor o direito de explorar a energia gerada pela hidrelétrica durante 35 anos.
Se as obras começarem no final do ano que vem, como está previsto, a usina de Santo Antônio deverá começar a gerar energia em dezembro de 2012.
Furnas-Odebrecht foi o primeiro consórcio a se formar para disputar a concessão. Nos últimos meses, outras subsidiárias da Eletrobrás se associaram a empresas privadas para participar da licitação.
A Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco) se associou à construtora Camargo Corrêa, a Eletrosul à multinacional francesa Suez e a Eletronorte à Alusa.