O estudo de viabilidade de uma siderúrgica no Maranhão feito pela Companhia Vale do Rio Doce, pela Baosteel e pela Arcelor mostrou que o investimento necessário ao empreendimento é 20% superior ao estimado.
- Por ser um projeto totalmente voltado à exportação, não vamos ter alguns benefícios fiscais. Por isso, os estudos mostraram que o montante de investimento necessário será acima do esperado, em cerca de 20% - disse a jornalistas nesta terça-feira o diretor-executivo de Participações e Novos Negócios da Vale, José Carlos Martins, sem fornecer valores.
Martins disse que as empresas analisam agora como equacionar o orçamento e a questão tributária, mas não mostrou preocupação em relação ao prosseguimento do projeto.
- As obras da usina vão começar em algum momento no ano que vem - afirmou ele.
A siderúrgica no Maranhão faz parte de plano capitaneado pela Vale, maior produtora mundial de minério de ferro, para um pólo siderúrgico naquele Estado. A idéia é instalar três usinas, cada uma com capacidade inicial de 4 milhões de toneladas por ano, podendo chegar a algo como 8 milhões de toneladas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que apóia a iniciativa, informou no final de setembro que o investimento total no pólo seria de US$ 11,4 bilhões.
A Vale participará das usinas como acionista minoritária e a atração de grupos internacionais para o Brasil está inserido na estratégia da mineradora de ter seus clientes mais perto.
Margem pressionada
A Vale teve lucro recorde no terceiro trimestre, apesar de ligeira redução da margem operacional. Para o período de outubro a dezembro, o diretor-executivo de Finanças da mineradora, Fábio Barbosa, afirmou que as margens serão prejudicadas por três fatores: real mais forte, combustíveis mais caros e preço do aço.
- Praticamente todos os nossos custos são em reais. Nossa margem em dólares vai sofrer um pouco no quarto trimestre. Outro fator que vai pesar é o aumento dos combustíveis. Além disso, o aço continua subindo, o que aumenta os custos em nossos investimentos - explicou.
A Vale está construindo o primeiro mineroduto do país para transporte de minério de ferro, investimento de US$ 170 milhões e com uso de cerca de 60 mil toneladas de tubos de aço.