A Companhia Vale do Rio Doce fechou, nesta terça-feira, o contrato de compra do controle acionário da mineradora canadense Inco por estimados US$ 13,2 bilhões, o maior negócio de uma empresa brasileira na história, e se tornou a segunda maior mineradora diversificada do mundo. A Vale obteve até esta terça-feira 75,6% do capital da empresa, ou 174,6 milhões de ações ordinárias, e vai pagar US$ 86 canadenses em dinheiro por ação, mas o valor total do negócio pode ficar acima de US$ 17 bilhões quando a empresa conseguir comprar 100% das ações, como pretende.
A Vale do Rio Doce é a maior produtora e exportadora mundial de minério de ferro e uma das principais produtoras de manganês e de ligas ferrosas. A Vale também produz cobre, bauxita, potássio, alumina e alumínio, entre outros produtos. A canadense Inco é a segunda maior produtora de níquel do mundo, produto largamento utilizado na produção de aço inoxidável e em baterias recarregáveis, e uma importante produtora de cobre, cobalto e de alguns metais preciosos, como platina.
A Vale, que foi criada pelo governo federal em 1942 e privatizada em 7 de maio de 1997, já era a maior mineradora diversificada das Américas e fica agora atrás apenas da BHP Billiton, baseada na Austrália, no ranking global do setor. A empresa brasileira divulgou que prorrogou o prazo de sua oferta até a meia-noite (horário de Toronto) de 3 de novembro deste ano "para prover aos acionistas da Inco que ainda não aderiram à oferta oportunidade de analisá-la e aceitá-la".
De acordo com comunicado, a Vale informou que pretende "tomar medidas para adquirir as ações ordinárias da Inco remanescentes no mercado". A empresa acertou um empréstimo-ponte com mais de 30 bancos nacionais e estrangeiros para financiar a aquisição. O pagamento aos acionistas que já aderiram à proposta da Vale deve ser realizado até 26 de outubro. Para que sua proposta de assumir o controle da mineradora canadense fosse válida, a Vale precisava de adesão de dois terços dos acionistas da empresa canadense, cerca de 66 por cento das ações.
A Vale informou que pretende recompor o Conselho de Administração da Inco e deslistar as ações da companhia das bolsas de Nova York e de Toronto assim que possível. A empresa brasileira acrescentou que pretende, assim que o número de acionistas da Inco for reduzido, fazer com que a mineradora canadense deixe de ter obrigação de divulgar informações financeiras no Canadá e nos Estados Unidos.