A mineradora Vale afirmou neste sábado que ainda não está negociando o preço contratual do minério de ferro para 2009.
Segundo o diretor executivo de Ferrosos da Vale, José Carlos Martins, a companhia brasileira vai aguardar a definição das negociações entre siderúrgicas asiáticas e as mineradoras australianas BHP e Rio Tinto, principais concorrentes da Vale, antes de iniciar qualquer conversa.
Ele explicou que isso decorre do fato de, no ano passado, a Vale ter fechado acordo em fevereiro e, depois disso, suas concorrentes terem conseguido um reajuste maior, de quase 100%, enquanto a brasileira obteve até 71%.
– O que eles (asiáticos e australianos) decidirem, vamos analisar. Se nos interessar, acompanhamos. Se não, veremos o que poderá ser feito –, disse Martins.
– Não queremos sofrer este ano o que sofremos no ano passado –, acrescentou Martins, que refutou informações publicadas na mídia de que a Vale estaria perto de fechar um acordo.
Ele afirmou ainda que a Vale tem conhecimento que suas concorrentes estão discutindo o contrato para 2009. – Mas estamos fora, vamos aguardar o que vem de lá.–
Os preços contratuais costumam ser estabelecidos uma vez por ano, e a partir do fechamento do contrato (sistema conhecido como "benchmark"), os valores passavam valer retroativamente a partir de 1º de abril, se forem firmados nos meses seguintes.
Por conta da queda na demanda em função da crise, a Vale tem dado neste ano descontos aos seus clientes, em relação ao valor contratual fechado em 2008.
Enquanto não é fechado um preço referencial para 2009, a Vale, segundo Martins, está dando um desconto provisório de 20% para os clientes na Europa.
– Na Ásia (com exceção da China), o desconto tem sido na faixa de 10%, para Japão e Coréia –, afirmou.
Para a negociação de 2009, ele disse achar "razoável" que o preço fique perto do valor atual, considerando o desconto dado em relação a 2008.
– O número que entendemos como razoável é esse que estamos dando no desconto provisório –, declarou.
Mas as siderúrgicas chinesas querem descontos maiores, considerando a queda na demanda pela crise. Elas reivindicam uma redução no preço de até 40%.
Martins admitiu ainda que as vendas atuais da Vale para as siderúrgicas chinesas são feitas com base no preço do mercado "spot" --a mineradora brasileira tradicionalmente defende o sistema "benchmark".
– Na China, o mercado foi para o spot, ninguém esta seguindo contrato, o grosso tem sido no spot... Negocia na hora que o navio chega e assim vai.–
De acordo com Martins, o preço no "spot" na Ásia tem um desconto maior do que o dado para as siderúrgicas de Japão, Coreia e Europa.
– No spot o desconto é maior, tem variado entre 25 e 35% (em relação ao valor de referência para 2008). Em janeiro e fevereiro, estava 15% (o desconto), depois subiu, agora está caindo. Oscila porque tem outro componente, que é o frete.–
Os preços dos fretes marítimos têm subido nas últimas semanas.
De acordo com Martins, apesar de o mercado "spot" na China ter sido afetado pela crise, o minério de ferro da Vale, por contar com uma qualidade melhor que o de suas concorrentes, consegue um prêmio em relação ao valor pago à vista.
– O que tem é que como o nosso minério tem qualidade superior, temos conseguido de US$ 8 a 12 por tonelada acima do spot, dependendo do minério, o de Carajás tem um prêmio melhor, do que o do Sul.–