Começo o blog desta semana com mais um preito de reverência ao exponencial trabalho do fotógrafo Thomas Farkas, falecido na última 6ª feira e cremado no sábado. Faço-o com um texto que recebi do nosso amigo comum, o cineasta e documentarista Sérgio Muniz. Ao despedir-se de Farkas, Sérgio definiu-o muito bem: poucos tiveram "uma personalidade e alma intelectuais tão brasileiras quanto ele".
"Convidado a falar na cerimônia de cremação do corpo de Thomaz Farkas, no último sábado, comecei dizendo: "Viver é perigoso e tem consequências fatais.Mas vale a pena se, nessa longa e utópica caminhada em direção ao futuro, fazemos amigos e temos amigos como o Farkas".
Ele sintetizava esse sentimento. Valeu realmente a pena ter tido a oportunidade de poder privar e conhecer, numa só pessoa, alguém tão amigo, tão companheiro, tão solidário e tão generoso. No início dos anos 60 abriu, sem impor qualquer condição, o horizonte do "fazer" cinematográfico a um grupo de jovens que
pretendia (e creio terem conseguido) dedicar-se ao cinema documentário.
Nunca impôs ou censurou qualquer tema que lhe propusemos e - generosamente - possibilitou a produção de dezenas de documentários. Caso raro no cinema nacional, pondo a mão no próprio bolso, já que na época não haviam leis de incentivo fiscal.
Também não pode deixar de ser lembrado que foi reconhecido - para meu gosto, um pouco tardiamente - como um dos mais importantes "olhares" da fotografia brasileira, o que pode ser confirmado através das inumeras exposições nacionais e internacionais que apresentaram seus trabalhos e da penca de livros que registraram as provas da qualidade desse olhar.
E, vejam, apesar de ser húngaro de nascimento, são poucos os que possuiram uma personalidade e alma culturais tão intensamente brasileiras como ele. Meu querido Farkas, hasta mañana, siempre (espero yo)!!!"
Rio de Janeiro, 08 de Agosto de 2026
Edições digital e impressa