Os produtores rurais estão segurando seus planos de investimento, diante da perspectiva de uma renda menor este ano. A informação foi dada hoje (11) pelo vice-presidente de Agronegócio do Banco do Brasil (BB), Ricardo Conceição. "Muitos produtores não deram seguimento aos projetos apresentados nas feiras, prevendo um cenário de queda nos preços dos produtos", disse. Segundo Conceição, deve haver uma sobra nos recursos dos Banco do Brasil destinados ao crédito para investimentos. "Se o fluxo dos investimentos não está maior, é mais por um certo recuo dos produtores do que pela capacidade de atendimento do banco", afirmou.
A instituição reservou R$ 3,4 bilhões para a safra 2004/2005. Conceição prevê que devem ser contratados em torno de R$ 2,6 bilhões a R$ 2,7 bilhões. "A expectativa de queda na renda do agricultor causou essa retração", explicou. Até janeiro foram liberados R$ 2,1 bilhões.
Conceição ponderou, no entanto, que se a produtividade da nova safra for no mesmo nível da anterior os produtores vão passar tranqüilamente por este período. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, argumentou que apesar de alguns produtos estarem com os preços baixos, outros produtos aumentaram a rentabilidade, como o café, leite e carnes. "Se temos 40% do PIB agrícola que não está numa situação muito boa, que são os grãos, os outros 60% do PIB agrícola estão numa situação razoável ou boa", disse o secretário.
De acordo com Wedekin, o aumento dos depósitos bancários nos últimos seis meses, principalmente em dezembro, vai proporcionar um incremento dos recursos para o setor. Os bancos são obrigados a destinar 25% do valor dos depósitos à vista para crédito rural - a chamada exigibilidade bancária. Ele acredita que haverá um incremento da ordem de R$ 2 bilhões, o que elevará os recursos destinados pelo sistema bancário para custeio e comercialização da safra para R$ 38 bilhões. Esses, somados aos R$ 10,7 bilhões reservados a investimentos, elevam a carteira agrícola para R$ 48,7 bilhões. Desses, R$ 25,5 bilhões serão destinados aos programas de investimento, custeio e comercialização e para o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) administrados pelo Banco do Brasil.
Conceição anunciou que a instituição reservou R$ 2,1 bilhões para apoiar a comercialização da safra 2004/05. Segundo ele, a previsão inicial era em torno de R$ 1,2 bilhão.
Dos R$ 7 bilhões previstos para o Pronaf este ano, R$ 4 1 bilhões são do BB. Segundo Conceição, de julho de 2004 a janeiro deste ano foram liberados R$ 3 bilhões. Ele informou que a demanda por recursos na região Nordeste começa agora. "O Banco do Brasil está trabalhando para fazer o Pronaf funcionar em regiões menos desenvolvidas", disse.
Vai sobrar crédito agrícola, prevê Banco do Brasil
Terça, 11 de Janeiro de 2005 às 15:28, por: CdB