Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Vai começar o Festival de Cinema de Berlim

Por Rui Martins - Embora já premiado com dois Ursos de Ouro, o cinema brasileiro não participa este ano da Competição, no Festival Internacional de Cinema de Berlim que começa nesta quinta-feira, mas há uma atração na mostra Panorama: a sequência do filme de José Padilha, Tropa de Elite 2, com projeção amanhã para a imprensa, e em outros quatro dias para o público alemão. Rui Martins

Quarta, 09 de Fevereiro de 2011 às 18:35, por: CdB
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Embora já premiado com dois Ursos de Ouro, o cinema brasileiro não participa este ano da Competição, no Festival Internacional de Cinema de Berlim que começa nesta quinta-feira, mas há uma atração na mostra Panorama: a sequência do filme de José Padilha, Tropa de Elite 2, com projeção amanhã para a imprensa, e em outros quatro dias para o público alemão.
Outro filme brasileiro está na mostra Forum - Os Residentes, de Tiago da Mota Machado, e na mostra dos novos cineastas, a mostra Geração, está o filme de Roberto Targino, Ensolarado, já exibido no Festival de Locarno. Estou de volta ao Festival de Berlim, como jornalista convidado, depois de uma longa ausência. Deixei de vir a Berlim, alguns anos depois da vitória de Walter Salles com o seu extraordinário Central do Brasil. Ainda hoje me lembro dos longos e demorados aplausos do público ao terminar o filme, naquele fevereiro de 1998, numa verdadeira consagração. Gravei e fiz questão de manter os aplausos no fundo, enquanto anunciava para os ouvintes da CBN e previa uma premiação. Hoje ao desembarcar e até mesmo me perder no metrô de Berlim, me senti feliz por reencontrar a cidade e poder ver, novamente, tantos filmes de regiões distantes que nunca poderei assistir num cinema normal comercial. Conheci Berlim ainda dividida e com o Muro, asssisti os primeiros anos da reunificação, ainda vendo filmes da Berlinale, no cinema Zoo Palast e sempre admirei a cidade, diferente de Paris com o charme de ser uma porta para o Leste. O Festival Internacional de Cinema de Berlim, o terceiro no ranking dos grandes festivais, vai até o dia 20, com 16 filmes em competição e uma homenagem ao cineasta Jafar Panahi, com a projeção do seu filme, Offside, premiado com o Urso de Prata em 2006. Impedido de comparecer no Festival, onde faria parte do júri, pois foi condenado a seis anos de prisão no Irã e proibido de fazer cinema por 20 anos. Jafar Panahi será lembrado pelo diretor do festival, Dieter Kosslick, que, num comunicado já divulgado, protesta contra essa prisão que viola o direito de liberdade de expressão nas artes. Outros filmes de Panahi serão mostrados nas outras seções do festival, Panorama, Forum, Geração e Curtas do Festival. Haverá também, dia 17 de fevereiro, um debate reunindo cineastas e iranianos no exílio sobre a censura e a falta de liberdade para os diretores de cinema no Irã. Será atração em Berlim a projeção do filme em 3D do cineasta Werner Herzog, A Caverna dos Sonhos Perdidos. Dois outros filmes em terceira dimensão serão exibidos no festival – Pina, de Wim Wenders, sobre a célebre coreógrafa e dançarina alemã Pina Bausch; e um filme francês de desenho animado de Michel Ocelot, Contos Noturnos. Concorrem, o filme húngaro O Cavalo de Turin, de Bela Tar; uma coprodução franco-mexicano-polonesa-alemã, da cineasta Paula Markovitch, O Prêmio; o filme iraniano Nader e Simin, uma Separação, de Asghar Farhadi; Contos Noturnos, de Michel Ocelot, francês; Margin Call, do americano JC Chandor; o filme coreano Come Rain Come Shine, de Lee Yoon; a coprodução franco-alemã-holandesa Sleeping Sickness, dirigida por Ulrich Koehler; a coprodução argentino-uruguaia-alemã Um Mundo Misterioso, de Rodrigo Moreno; o filme dos EUA The Forgiveness of Blood, dirigido por Joshua Marston; o filme coprodução russo-ucraniana-alemã Sábado Inocente, de Alexander Mindadze; a coprodução turco-alemã-holandesa Nosso Grande Desespero, de Seyfi Teoman; o filme inglês Coriolanus de Ralph Fiennes; a coprodução inglesa-israelense, Odem, de Jonathan Sagall; a coprodução alemã-americana O Futuro, de Miranda July; o filme alemão Se não Nós, Quem de Andres Veiel e o filme dos EUA Yelling to the Sky, de Victoria Mahoney. Rui Martins, jornalista e escritor, correspondente em Genebra, é convidado do Festival de Berlim.
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