Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Vacina de proteção contra o câncer de colo do útero dura seis meses

Terça, 11 de Março de 2008 às 17:35, por: CdB

A GlaxoSmithkline (GSK) divulgou nesta terça-feira novos dados de um estudo que demonstram que sua vacina para prevenção do câncer de colo de útero ofereceu proteção significativa às mulheres contra os quatro tipos mais comuns de papilomavirus humano (HPV) causadores de câncer cervical por cerca de seis anos e meio após a primeira dose da vacina, configurando a mais longa proteção relatada até o presente.

A vacina também demonstrou 100% de eficácia na prevenção das lesões pré-cancerosas devidas aos tipos virais causadores de câncer 16 e 18, e também ofereceu proteção considerável contra infecção causada pelos tipos virais 31 e 45. A vacina da GSK já obteve aprovação regulatória no Brasil, no final de fevereiro e agora aguarda a determinação de preço da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
 
Os novos dados anunciados demonstram que, virtualmente, 100% das mulheres do estudo, com idade de 15 a 25 anos, mantiveram altos níveis de anticorpos contra ambos os tipos virais 16 e 18, em todos os momentos desses 6,4 anos. Esses níveis de anticorpos foram diversas vezes maiores do que aqueles que se seguem a uma infecção natural, e observados por todo o período de tempo do estudo de seguimento. Essa é a mais longa duração de anticorpos para HPV 16 e 18 consistentemente superiores à infecção natural já relatada para uma vacina para prevenção do câncer do colo do útero.  
 
— Com esse estudo, continuamos a observar altos níveis de anticorpos que persistiram em virtualmente todas as mulheres estudadas, o que parece ser decisivo na prevenção do câncer de colo de útero —, disse Diane Harper, médica do Centro de Câncer Norris Cotton e do Centro Médico Dartmouth-Hitchcock, em New Hampshire, Estados Unidos.

— Esses dados são notáveis porque evidenciam o potencial da vacina para prevenção do câncer de colo de útero da GSK em proteger as mulheres por mais tempo —, acrescentou. 
 
O estudo também confirmou a importante proteção cruzada, por pelo menos 6,4 anos, contra infecção ocasional causada pelos tipos virais 45 e 31. Os tipos virais 18 e 45 são responsáveis por um percentual significativo de uma forma particularmente agressiva e fatal de câncer de colo de útero conhecida como adenocarcinoma. Este tipo de câncer de colo de útero tende a ocorrer em mulheres mais jovens e não é bem detectado por métodos habituais de screening, tais como o exame de Papanicolaou.

— Desenhamos nossa vacina especificamente com o propósito de oferecer a mais durável proteção para prevenção do câncer do colo do útero —, disse James Tursi, diretor de assuntos médicos da GSK para América do Norte.

— Os resultados desse estudo são importantes porque as mulheres permanecem sob o risco de infecções por tipos virais causadores de câncer enquanto estão sexualmente ativas, e uma proteção durável será um componente essencial de uma estratégia de vacinação de sucesso —, disse.
 
Os resultados demonstram que a vacina para prevenção do câncer do colo do útero da GSK é geralmente bem tolerada e obteve um perfil geral de segurança favorável.
 
Esses dados foram apresentados hoje em São Paulo pelas médicas brasileiras Cecília-Roteli, Mestre e Doutora em Ginecologia pela Unicamp  e Coordenadora de Pesquisa do Hospital Leonor de Barros, de São Paulo e Isabela Ballalai, pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunização (SBAM) e ontem (10/03) no encontro anual da Sociedade de Oncologistas Ginecológicos (SGO, em inglês), em Tampa, Flórida, Estados Unidos.
 
A médica Cecília Roteli-Martins,  que participa da pesquisa da GSK, acompanhando os efeitos da vacina em um grupo de mulheres brasileiras, afirmou que no País hoje já são cerca de 20 mil casos anuais de Câncer do Colo do Útero.

1 Os novos dados apontam para uma excelente resposta de anticorpos com 100% de eficácia contra lesões pré-cancerosas e uma resposta

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