Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Vacina contra câncer cervical passa em teste

Quarta, 06 de Abril de 2005 às 19:19, por: CdB

Uma vacina experimental do laboratório Merck se mostrou altamente eficaz em conter o vírus associado à maioria dos casos de câncer cervical e de verrugas genitais, disse uma cientista brasileira na quinta-feira.

O Gardasil, que pode chegar ao mercado em 2006, foi feito para proteger as mulheres contra quatro formas do papilomavírus humano (HPV). O laboratório GlaxoSmithKline, concorrente da Merck, já tem o Cervarix, que protege contra apenas dois tipos de HPV. O câncer cervical mata 250 mil mulheres por ano.

Ambos os tratamentos estão em fase final de estudos clínicos e, segundo analistas do setor, podem render bilhões de dólares.

Luisa Villa, do Instituto Ludwig para Pesquisa do Câncer, do Brasil, disse que o Gardasil já reduziu esse tipo de enfermidade em 90 por cento em comparação com o placebo usado nos dois anos e meio da fase 2 do teste.

"Se uma fase 3 (mais ampla) demonstrar que a vacina é tão eficaz assim, tenho certeza de que vai mudar a história do câncer cervical", disse ela por telefone.

Os cientistas dizem que a melhor forma de lidar com o câncer cervical é com uma vacina que previna o HPV, transmitido por via sexual, e combinar isso com exames periódicos.

A cada ano, meio milhão de mulheres recebem um diagnóstico de câncer cervical. Se for detectado e tratado prematuramente, as taxas de sobrevivência são boas. Mas os exames são raros nos países pobres, onde acontecem 80 por cento das mortes.

Três quartos das mulheres sexualmente ativas contraem o HPV em algum momento das suas vidas, mas a maioria dos casos dura pouco e não produz sintomas.

Em relato na revista médica Lancet Oncology, Villa e sua equipe compararam a vacina da Merck com um placebo em um grupo de 552 mulheres de 16 a 23 anos nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil.

Elas foram aleatoriamente selecionadas para receber três doses da vacina em um período de seis meses. O estudo foi pago pela Merck.

Os cientistas concluíram que a vacina foi eficaz em 90 por cento dos casos contra a infecção pelos HPV das cepas 6, 11, 16 e 18, e eram cem por cento eficientes na proteção contra lesões cervicais que antecedem ao câncer.

Os resultados foram praticamente idênticos aos relatados pelo produto da Glaxo contra as cepas 16 e 18.

Os analistas do Credit Suisse First Boston disseram em nota a seus clientes no mês passado que o mercado para esse tipo de medicamento pode atingir 40 bilhões de dólares nos próximos nove anos. Mas os analistas se dividem sobre os méritos de cada uma das vacinas.

Villa disse que um medicamento contra quatro variedades do HPV, oferecendo proteção não só contra o câncer, mas também contra o herpes genital, que causa disfunção sexual, pode ser algo positivo para a saúde pública.

Para os analistas do banco, porém, a vacina da Glaxo, que só protege contra o câncer, terá mais apelo junto aos pais de jovens consumidoras, por não envolver a idéia de prática sexual.

Villa disse que a vacina universal contra o HPV pode ser mais efetiva se for administrada em meninas de 10 a 13 anos, que provavelmente não portam o vírus. Mas ela admitiu que esse programa pode gerar controvérsias.

A Merck, que na Europa é parceira da Sanofi-Aventis nesse produto, deve pedir as primeiras autorizações para comercializar a vacina no segundo semestre deste ano. A Glaxo diz que vai apresentar o seu pedido para o Cervarix em 2006.

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