Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Vacas, ovelhas, chuteiras e geladeiras na mira de Kyoto

Quarta, 16 de Fevereiro de 2005 às 08:08, por: CdB

Vacas e ovelhas pastando, chuteiras e até a geladeira da cozinha podem ser os alvos do novo pacto da Organização das Nações Unidas (ONU) que pretende conter o aquecimento global.
O Protocolo de Kyoto entra em vigor nesta quarta-feira, numa tentativa de combater a emissão de gases que a maioria dos cientistas acredita que desencadeará novas ondas de calor, secas e enchentes, além de elevar o nível do mar em quase um metro até 2100. E as bolas de tênis podem ser uma parte - embora minúscula - do problema.

O protocolo tem como objetivo principal conter as emissões especificamente do dióxido de carbono, emitido pela queima de combustíveis fósseis em usinas termelétricas, fábricas e automóveis. Esse é o gás mais responsabilizado pelo aumento das temperaturas.

O pacto de Kyoto, que conta com a adesão de 141 países (entre eles o Brasil), mas com a grande ausência dos Estados Unidos, vai tentar também limitar um coquetel de outros cinco gases menos comuns, encontrados em diversos lugares, do estômago das vacas a fundições de alumínio, de pneus a geladeiras.

- Há muito menos atenção para esses outros gases, embora alguns deles sejam bastante poderosos no efeito-estufa - disse Bo Kjellen, um ex-negociador sueco do clima, que agora pertence ao centro de estudos Tyndall, na Grã-Bretanha.

- Um grande problema é que é mais difícil calcular seus efeitos sobre o clima. Vai se prestar muito mais atenção a esses gases nos próximos anos - disse ele ainda. 

Um deles, o hexafluorido de enxofre, pode ser 23.900 vezes mais poderoso que o dióxido de carbono em seu potencial de armazenar o calor na atmosfera, segundo o painel de alteração climática da ONU. 

O hexafluorido é usado em calçados esportivos, bolas de tênis e pneus, para dar elasticidade e a propriedade de quicar. A União Européia tem propostas de lei para proibir alguns desses gases, o que forçaria a indústria a fazer modificações que custariam centenas de milhões de dólares.

- A  maioria dos países não está fazendo o suficiente para controlar esses gases - disse Mahi Sideridou, do lobby do Greenpeace em Bruxelas. Segundo ele, os planos da UE são o mínimo denominador comum.

Fora da UE, muitos países não têm leis sobre grande parte desses gases, encarando-os como inofensivos. Pelo Protocolo de Kyoto, os países desenvolvidos terão de cortar suas emissões gerais de gases que provocam o efeito-estufa para 5,2% abaixo do nível registrado em 1990. O prazo para que isso ocorra é entre 2008 e 2012.

O presidente dos EUA, George W. Bush, retirou o país do pacto em 2001, alegando que ele prejudicaria a economia e que excluía injustamente os países em desenvolvimento das primeiras metas. Bush questiona as conclusões dos cientistas sobre o que realmente causa o aquecimento global.

Em 2001, o dióxido de carbono respondia por 83,6% das emissões de gases-estufa nos EUA por fontes humanas, seguido pelo metano, com 9,7%, e pelo óxido nitroso, com 6,1%, de acordo com números oficiais norte-americanos. Os outros gases - o hexafluorido de enxofre, os perfluorocarbonos e os hidrofluorocarbonos (HFC) - compunham o 1,6% restante.
As concentrações de alguns desses gases, embora minúsculas, estão aumentando. A concentração de metano aumentou 150% desde o início da Revolução Industrial, no século 18.

Os pecuaristas preocupados com o aquecimento global talvez tenham de se acostumar com termos como "gerenciamento de estrume" ou "fermentação intestinal" - esta última se referindo a como o metano é produzido e expelido pelos animais.

Alterações na dieta ou no uso de fertilizantes podem ajudar a cortar as emissões dos rebanhos. O metano também é liberado por outras fontes, que incluem o cultivo de arroz, vegetações apodrecidas e minas de carvão.

Kjellen disse que esses outros gases, além do dióxido de carbono, vão se tornar mais importante nos próximos anos, quando os signatários de Kyoto forem in

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