Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Vaca louca: Brasil não tem estratégia para vender mais carne

Sexta, 02 de Janeiro de 2004 às 16:03, por: CdB

O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, afirmou no final da tarde desta sexta-feira que o governo não tem "nenhuma medida específica de exportação" para aumentar as vendas de carnes de forma a aproveitar melhor o espaço deixado pela diminuição de vendas da carne norte-americana depois da notícia de que um animal estava infectado com o mal da vaca-louca.

"Se houver uma queda no consumo mundial, poderá favorecer nossas exportações de outras carnes, como suína e de frango, ou até de bovina, porque temos o boi verde ", disse Ramalho, em entrevista coletiva que terminou há pouco. De acordo com ele, o País não precisa preocupar-se com o eventual aumento da demanda. "Temos produção suficiente para tanto", ressaltou.

O secretário disse que uma retomada da economia em 2004 criará espaço para um bom crescimento das importações na comparação c om o ano passado. Em 2003, o saldo da balança comercial cresceu principalmente graças ao aumento das exportações, enquanto as importações cresceram apenas 2,2%. "Em 2004, por causa da retomada que se espera, a nossa expectativa é de que as importações cresçam", disse Ramalho, em entrevista coletiva .

Exemplo desse possível crescimento são as importações de bens de capital. Termômetro do nível de investimento em capacidade produtiva, elas cresceram 14,8% nos últimos quatro meses em relação a igual período de 2002, o que atenuou a queda verificada em todo o ano de 2003 ante 2002, de 10,7%, segundo o ministério. - A expectativa é de que continuem crescendo em 2004, até por conta dos ex-tarifários que contemplam cerca de 1,6 mil tipos de máquinas - disse o secretário de Comércio Exterior. As importações de bens de capital alcançaram US$ 10,348 bilhões no ano passado ante US$ 11,593 bilhões em 2002.

O secretário ressaltou que a retomada do desenvolvimento, principalmente por parte da indústria, deverá fazer crescerem as importações de matérias-primas e bens intermediários, que são insumos industriais. Em 2003, as compras desses produtos cresceram 10% ante 2002, tendo passado de US$ 23,455 bilhões para US$ 25,793 bilhões. As importações d e bens de consumo também podem crescer, segundo o secretário, revertendo a queda de 6,2% que tiveram no ano passado (de US$ 5,907 bilhões para US$ 5,538 bilhões).

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